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Por Nayara Cristina e Guilherme Augusto
A Câmara Municipal de Cuiabá viveu uma manhã de forte tensão política nesta quarta-feira após as declarações do prefeito Abílio Brunini sobre um suposto rombo de R$ 80 milhões na Secretaria Municipal de Educação. O caso, que já havia provocado forte repercussão desde o anúncio feito pelo prefeito na terça-feira, ganhou novos capítulos dentro do Legislativo cuiabano, envolvendo vereadores da base, oposição e o ex-secretário Amauri Monge.
Abílio afirmou que já encaminhou denúncias aos órgãos de controle, como Ministério Público, Polícia Federal, Polícia Civil e Tribunal de Contas do Estado, alegando haver fortes indícios de irregularidades em contratos da Educação. O prefeito chegou a afirmar que existem suspeitas sobre quem teria participação no suposto prejuízo milionário aos cofres públicos, mas disse que ainda não pode revelar nomes.
As declarações provocaram reação imediata do ex-secretário de Educação Amauri Monge, que compareceu à Câmara Municipal para prestar esclarecimentos aos vereadores. Durante coletiva de imprensa e pronunciamentos no plenário, Monge rebateu duramente as acusações e classificou a denúncia como uma “cortina de fumaça” diante da crise administrativa enfrentada pela Prefeitura de Cuiabá.
Amauri afirmou que todas as ações pedagógicas da pasta eram de conhecimento do prefeito e que o planejamento educacional da Capital teria sido aprovado diretamente pela atual gestão. O ex-secretário também negou irregularidades e apontou que a Prefeitura enfrenta um “colapso fiscal”, alegando dificuldades financeiras e administrativas acumuladas nos últimos meses.
O ambiente político esquentou ainda mais após a vereadora Maísa Leão anunciar a protocolização de um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos da Educação entre os anos de 2021 e 2025. A parlamentar afirmou já ter iniciado a coleta de assinaturas e acusou a base do prefeito de começar a ruir diante das contradições apresentadas pelo próprio Executivo.
Segundo Maísa, o discurso de transparência defendido por Abílio durante a campanha eleitoral estaria perdendo força dentro da própria Câmara.
“Eu tenho sentido que essa base consolidada que o prefeito tinha está ruindo cada dia mais. Existia uma expectativa de transparência e governabilidade junto com o prefeito, mas isso não está acontecendo”, afirmou.
A vereadora questionou ainda o fato de o prefeito ter solicitado investigações de praticamente todos os órgãos fiscalizadores, mas sem citar a Câmara Municipal.
“Quando ele diz que há fortes indícios de ilicitude e conclama Ministério Público, Tribunal de Contas, Polícia Federal e Polícia Civil, mas esquece da Câmara de Vereadores, isso levanta uma preocupação. A Câmara está aqui para trabalhar e investigar”, declarou.
A parlamentar detalhou que a CPI pretende analisar contratos relacionados à compra de livros didáticos, materiais pedagógicos, uniformes escolares, kits educacionais, apostilas, mobiliários, além de obras e reformas em unidades escolares. Ela também mencionou denúncias sobre pagamentos, contratos repactuados e supostas aquisições que não teriam chegado às escolas da rede municipal.
“Tem aquisição de livros de valores altíssimos, compras em excesso, contratos de materiais escolares, kit pedagógico, carteiras escolares, mesas e cadeiras. A população vê escolas com mobiliário velho e obras abandonadas. Precisamos saber o que foi comprado, quanto custou e se realmente foi entregue”, disse.
Maísa ainda afirmou que há denúncias envolvendo abandono de obras por falta de pagamento e apontou possível responsabilidade administrativa caso empresas contratadas não tivessem capacidade de execução.
Ela explicou que o objetivo é investigar tanto contratos firmados ainda na gestão anterior quanto aqueles mantidos ou repactuados pela atual administração municipal.
“O dispositivo da CPI é o adequado para verificar tudo isso. Vamos ouvir quem assinou contratos, empresas, responsáveis pelos pagamentos e conferir se os serviços realmente foram executados”, reforçou.
A vereadora informou que o requerimento já recebeu assinaturas de parlamentares como Dilemário Alencar, Alex Rodrigues, Joelson, Daniel Monteiro e Didimo Vovô, entre outros. Segundo ela, alguns vereadores chegaram a demonstrar interesse em assinar tanto o pedido de CPI protocolado pela oposição quanto outros requerimentos semelhantes que surgiram dentro da Casa.
O episódio aprofundou o clima de instabilidade política dentro da Câmara de Cuiabá e ampliou o desgaste entre o Executivo municipal e parte dos vereadores. Nos bastidores, parlamentares já admitem que a crise envolvendo os contratos da Educação pode se transformar em um dos maiores embates políticos da atual legislatura.
Enquanto a oposição tenta avançar com a abertura da CPI, a base governista agora enfrenta pressão para decidir se irá apoiar uma investigação parlamentar sobre as denúncias feitas pelo próprio prefeito da Capital.
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