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por Nayara Cristina
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) decidiu, por unanimidade, manter a prisão preventiva do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, réu confesso pelo homicídio do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024, em Cuiabá. O acusado está preso desde março do ano passado.
A decisão foi proferida pela Terceira Câmara Criminal da Corte, que entendeu permanecerem presentes todos os fundamentos que justificaram a decretação da prisão preventiva. Entre eles, os magistrados destacaram a gravidade concreta do crime, o modo de execução, a periculosidade atribuída ao réu e a necessidade de garantia da ordem pública.
No voto condutor, o relator ressaltou que “a gravidade concreta do crime, orquestrado e executado no seio de uma aparente organização criminosa com envolvimento de agentes do Estado, evidencia a elevada periculosidade do acusado e o risco real à ordem pública”, reforçando que a liberdade do réu poderia comprometer a segurança da sociedade e a regularidade do processo penal.
Além de negar o pedido de soltura, o colegiado também rejeitou outros requerimentos apresentados pela defesa, entre eles a exclusão da qualificadora do perigo comum e o pedido de impronúncia em relação ao crime de organização criminosa, mantendo integralmente a decisão de primeira instância.
Retrospectiva do crime
O assassinato do advogado Renato Nery causou forte comoção em Cuiabá e repercussão no meio jurídico e político de Mato Grosso. O crime ocorreu em julho de 2024 e, desde as primeiras investigações, chamou a atenção das autoridades pela forma como foi planejado e executado.
De acordo com as apurações da Polícia Civil, Renato Nery foi vítima de uma emboscada cuidadosamente arquitetada. As investigações avançaram apontando para a participação de uma suposta organização criminosa, com indícios de envolvimento de agentes públicos, o que elevou a complexidade do caso e a gravidade dos fatos analisados pelo Judiciário.
Alex Roberto de Queiroz Silva, que trabalhava como caseiro, acabou preso em março de 2025 e confessou participação no homicídio. A partir da confissão e de outros elementos colhidos ao longo do inquérito, o Ministério Público ofereceu denúncia não apenas pelo assassinato, mas também por crimes conexos, incluindo organização criminosa.
Desde então, a defesa vem tentando reverter a prisão preventiva, alegando excesso de prazo e ausência de fundamentos para a manutenção da custódia. No entanto, com a decisão unânime da Terceira Câmara Criminal do TJ-MT, o caseiro permanecerá preso enquanto o processo segue em tramitação na Justiça.