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Por Jota de Sá
O governo federal deu um passo relevante para o fortalecimento dos biocombustíveis no país ao confirmar o início dos testes que avaliam a ampliação da mistura de biodiesel ao diesel. A fase experimental está prevista para começar em maio e deve servir como base técnica para decisões futuras sobre o percentual obrigatório do combustível renovável na matriz energética brasileira.
O anúncio foi feito pelo secretário substituto de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Marlon Arraes, durante um evento do setor realizado em São Paulo. A iniciativa é vista como estratégica para garantir segurança operacional e embasar eventuais mudanças regulatórias.
Representantes da cadeia produtiva receberam a sinalização com otimismo. Para o presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen, a testagem abre espaço para que o país avance ainda este ano na adoção do B16 — percentual que representa 16% de biodiesel na composição do diesel comercializado. Segundo ele, há expectativa de que a decisão possa ser tomada após a conclusão das análises técnicas.
O setor produtivo também indica estar preparado para acompanhar o avanço. De acordo com Goergen, existe capacidade instalada suficiente para ampliar a produção e até mesmo colaborar com os custos envolvidos nos testes. Ele destaca que a ampliação da mistura pode reduzir a dependência brasileira da importação de diesel fóssil e contribuir para maior estabilidade nos preços internos.
A etapa de testes deve avaliar o desempenho do combustível em condições reais de uso, incluindo o funcionamento de motores e a eficiência do diesel com maior teor de biodiesel. Os resultados serão determinantes para garantir segurança técnica antes de qualquer ampliação definitiva da mistura.
Além do possível avanço para o B16, os estudos também devem considerar a viabilidade de aumentos progressivos até atingir 20% de biodiesel, conforme previsto na chamada Lei do Combustível do Futuro. A proposta faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para estimular fontes renováveis e reduzir emissões no setor de transportes.
Caso os testes confirmem a viabilidade técnica, o Brasil poderá acelerar sua transição energética no segmento de combustíveis, consolidando o biodiesel como um dos pilares da matriz nacional.