JB News
por Nayara Cristina
A crise política dentro da administração municipal de Várzea Grande ganhou novos contornos nesta semana após declarações públicas do vice-prefeito Sebastião dos Reis, que escancarou o desgaste na relação com a prefeita Flávia Moretti. Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira, o vice afirmou que tem sido deixado de lado dentro da gestão municipal e classificou sua participação no governo como secundária, em uma fala que evidencia o clima de ruptura política dentro do Paço Municipal.
Em tom de insatisfação, Tião da Zaeli declarou que não tem espaço na administração desde a vitória eleitoral e que os acordos firmados durante a campanha não teriam sido respeitados. “Eu não tenho espaço na gestão desde quando nós ganhamos. Eu fui um mero coadjuvante. Não era o que nós combinamos na campanha”, afirmou. Segundo ele, a prefeita conduziu a administração sem a necessidade de participação efetiva do vice, o que aprofundou o distanciamento político entre ambos.
O vice-prefeito também sugeriu que a própria condução política da prefeita demonstra que sua presença na gestão não é considerada necessária. “A prefeita é muito preparada, ela não precisou do vice. Nós tínhamos uma combinação que nada se colocou em prática”, declarou, reforçando que as expectativas criadas durante o período eleitoral acabaram sendo frustradas ao longo do início do mandato.
O embate ocorre em meio a mudanças estratégicas dentro da estrutura administrativa da prefeitura. Um dos episódios que ampliou o desgaste interno foi a saída do coronel Zilmar da presidência do Departamento de Água e Esgoto (DAE), cargo que passou a ser ocupado pelo vereador Rogerinho. A alteração foi interpretada nos bastidores como parte de uma reorganização política dentro do governo municipal, reduzindo ainda mais a influência do grupo ligado ao vice-prefeito.
Outra movimentação recente que repercutiu no cenário político local foi a nomeação da nova secretária municipal de Educação, Maria Fernanda. Questionado sobre a escolha, Tião da Zaeli afirmou que não possui proximidade com a nova titular da pasta. “Não conheço. Eu sei que ela é irmã de um vereador, somente isso”, disse, demonstrando distanciamento também nas decisões administrativas da área educacional.
Ainda durante a entrevista, o vice-prefeito ressaltou que as pessoas que atualmente ocupam cargos na gestão municipal foram, em sua maioria, integrantes da campanha eleitoral. Segundo ele, não haveria hoje indicações diretas de seu grupo político na estrutura administrativa da prefeitura, o que reforça o argumento de que perdeu espaço dentro do governo.
O cenário revela uma clara rota de colisão entre os dois principais nomes da administração municipal e expõe uma disputa política interna que começa a marcar os primeiros meses da atual gestão. Nos bastidores da política várzea-grandense, a avaliação é de que o distanciamento entre a prefeita e o vice pode provocar novos rearranjos políticos e influenciar diretamente a estabilidade administrativa da cidade.
Enquanto isso, as declarações públicas de Tião da Zaeli colocam luz sobre um conflito que, até então, vinha sendo tratado de forma discreta nos corredores do poder municipal, mas que agora passa a se transformar em um dos principais capítulos da atual conjuntura política de Várzea Grande.
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