FAVELIZAÇÃO

“Desconheço os dados, Somos o terceiro maior PIB do país, e não podemos aceitar bolsões de pobreza e favelas”, diz Max Russi após alerta do TCE sobre avanço da miséria em MT

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“Desconheço os dados, Somos o terceiro maior PIB do país,  e não podemos aceitar bolsões de pobreza e favelas”, diz Max Russi após alerta do TCE sobre avanço da miséria em MT

JB News

Por Nayara Cristina

A declaração do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Sérgio Ricardo, afirmando que Cuiabá e Várzea Grande vivem um avanço acelerado de “bolsões de miséria” e favelização provocou forte repercussão política nesta quarta-feira (6) durante sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. O tema dominou entrevistas e debates nos corredores do Parlamento estadual após o presidente da Assembleia, Max Russi, ser questionado sobre o alerta feito pelo conselheiro durante audiência pública do Plano Diretor de Cuiabá realizada nesta semana na sede do TCE.

A fala de Sérgio Ricardo acendeu um dos debates mais sensíveis sobre o contraste econômico vivido em Mato Grosso. Mesmo ocupando posição entre os estados com maior crescimento econômico do país e ostentando um dos maiores PIBs per capita do Brasil, o estado ainda convive com indicadores de pobreza, insegurança alimentar e expansão de áreas periféricas nas maiores cidades da Baixada Cuiabana.

Durante a audiência pública, Sérgio Ricardo afirmou que Cuiabá e Várzea Grande caminham para um cenário social preocupante, marcado pelo crescimento desordenado, aumento da pobreza urbana e avanço da favelização. Segundo ele, existem atualmente mais de 80 bairros periféricos em situação crítica na região metropolitana. O presidente do TCE também declarou que cerca de 500 mil pessoas vivem abaixo da linha da pobreza em Mato Grosso e que aproximadamente 120 mil estariam concentradas em Cuiabá e Várzea Grande.  

As declarações ganharam enorme repercussão porque confrontam diretamente a imagem de prosperidade econômica construída em torno de Mato Grosso nas últimas décadas. O estado é hoje uma potência nacional do agronegócio, lidera indicadores de produção agrícola e aparece entre os maiores crescimentos econômicos do país, impulsionado principalmente pela soja, milho, algodão e pecuária.

Questionado sobre o tema, Max Russi afirmou que é preciso aprofundar o debate social e reconhecer que a riqueza produzida em Mato Grosso ainda não alcança todas as regiões e camadas da população. O presidente da Assembleia ponderou que ainda precisa conhecer detalhadamente os números apresentados pelo Tribunal de Contas, mas admitiu preocupação com o cenário descrito por Sérgio Ricardo.

Durante entrevista coletiva, Russi declarou que Mato Grosso avançou economicamente nos últimos anos, mas afirmou que o desafio agora é fazer com que esse crescimento chegue às regiões mais pobres e à população em situação de vulnerabilidade. O parlamentar ressaltou que o estado possui atualmente o terceiro maior PIB per capita do Brasil, ultrapassando inclusive o Rio de Janeiro em determinados levantamentos econômicos recentes, mas reconheceu que o desenvolvimento ainda ocorre de forma desigual.

“O Estado precisa olhar para todos. Tem regiões que crescem muito, que recebem investimentos, que avançam rapidamente. Outras acabam ficando para trás. O governo precisa agir como quem cuida de todos os filhos, olhando principalmente para quem mais precisa”, afirmou o presidente da Assembleia.

Max Russi também destacou que programas sociais e ações habitacionais precisam avançar de forma mais intensa nos próximos anos. Segundo ele, o déficit habitacional e a expansão das áreas periféricas demonstram que ainda existe um passivo social significativo em Mato Grosso, especialmente na Baixada Cuiabana.

O parlamentar afirmou ainda que a discussão levantada por Sérgio Ricardo é importante porque amplia o debate sobre planejamento urbano, desigualdade social e distribuição de renda no estado. Para Russi, o crescimento econômico de Mato Grosso precisa ser acompanhado de políticas públicas capazes de gerar qualidade de vida, acesso à moradia, qualificação profissional e desenvolvimento regional equilibrado.

As declarações do presidente do TCE ocorreram durante apresentação da proposta do novo Plano Diretor de Cuiabá, documento que discute o crescimento urbano da capital após quase duas décadas sem atualização. Durante o encontro, Sérgio Ricardo criticou a ausência histórica de planejamento urbano continuado e afirmou que Cuiabá e Várzea Grande perderam competitividade econômica ao longo dos anos enquanto cidades do interior, como Sorriso, Sinop e Lucas do Rio Verde, passaram a concentrar desenvolvimento industrial e expansão econômica.  

O presidente do Tribunal de Contas também defendeu a criação de políticas permanentes de Estado voltadas para habitação, mobilidade urbana, saneamento, geração de emprego e qualificação profissional. Segundo ele, sem planejamento de longo prazo, a tendência é que a pobreza urbana continue avançando nas maiores cidades da região metropolitana.  

Nos bastidores políticos, o tema passou a ser tratado como um dos principais desafios sociais para os próximos anos em Mato Grosso. A preocupação aumentou porque os indicadores econômicos positivos do estado contrastam diretamente com a realidade de milhares de famílias que ainda vivem em regiões sem infraestrutura adequada, enfrentando dificuldades de acesso à moradia digna, saneamento básico e emprego formal.

A repercussão das falas de Sérgio Ricardo e Max Russi ampliou o debate sobre desigualdade social em Mato Grosso e colocou novamente em evidência a discussão sobre como transformar a riqueza bilionária produzida pelo estado em melhoria efetiva da qualidade de vida da população mais pobre, especialmente nas periferias de Cuiabá e Várzea Grande.

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