Ana Paula Figueiredo
Entidade articula atuação com Mapa e Itamaraty para tentar barrar sobretaxa de 55% sobre a carne brasileira
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) anunciou, nessa quarta-feira (31), que vai atuar junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ao Itamaraty para negociar com a China a taxa adicional de 55% sobre as importações de carnes brasileiras. Em nota, a entidade afirmou que a medida exige reação imediata do governo brasileiro para evitar instabilidade no mercado e impactos diretos aos pecuaristas.
“A FPA vai atuar imediatamente junto ao Mapa, Itamaraty e à área de comércio exterior do governo para abrir um canal de negociação com as autoridades chinesas e buscar soluções que preservem previsibilidade ao setor”, informou a entidade. Segundo a nota, também será solicitado um levantamento técnico sobre o fluxo recente das exportações para embasar a estratégia brasileira e reduzir riscos de desorganização do mercado.
A taxação foi anunciada pelo Ministério do Comércio da China (Mofcom) ainda na quarta-feira e entrou em vigor nesta quinta-feira (1º). De acordo com o órgão, a medida visa proteger o setor pecuário doméstico, que enfrenta excesso de oferta.
“O aumento na quantidade de carne bovina importada prejudicou seriamente a indústria doméstica da China”, afirmou o ministério.
Pelas regras anunciadas, a tarifa adicional de 55% será aplicada sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem as cotas estabelecidas para os principais fornecedores, entre eles Brasil, Austrália e Estados Unidos. Para 2026, o Brasil terá uma cota de 1,106 milhão de toneladas sem tarifa adicional.
O volume é inferior ao exportado até novembro de 2025, quando o país enviou 1,499 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, com faturamento de US$ 8,028 bilhões.
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) também manifestou preocupação e alertou para risco imediato ao desempenho das exportações e ao equilíbrio da cadeia produtiva nacional.
“O impacto potencial desta medida pode significar uma perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026”, afirmou a entidade, destacando que o setor deve superar US$ 18 bilhões em exportações em 2025.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informaram que acompanham a implementação da medida e vão atuar junto ao governo brasileiro para mitigar os impactos da sobretaxa.