Primeira sessão escancara rompimento político, derruba 19 vetos e implode base da prefeita em Várzea Grande

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JB News Por Jota de Sá   Promessa de 15 votos cai por terra e Câmara impõe derrota ampliada à prefeita em Várzea Grande.   A primeira sessão legislativa do ano em Várzea Grande não foi protocolar nem simbólica: foi um divisor de águas político. A manhã desta terça-feira marcou uma derrota contundente da prefeita Flávia Moretti logo na largada dos trabalhos parlamentares e escancarou o rompimento entre o Executivo e o Legislativo. Em sessão extraordinária, 19 dos 46 vetos encaminhados pela gestora foram derrubados por maioria absoluta no plenário da Câmara Municipal de Várzea Grande, evidenciando que a base governista não se sustentou dentro da Casa. O resultado teve forte impacto político porque confrontou diretamente a estratégia anunciada pelo secretário de Governo, Silvio Fidelis. Antes da votação, ele havia afirmado publicamente que contava com ao menos 15 votos para manter os vetos da prefeita. A sessão mostrou o oposto. A maioria dos vereadores votou pela derrubada, desmontando a narrativa de controle da base e reforçando a percepção de que o Executivo perdeu sustentação política no Parlamento municipal. A maioria dos vetos rejeitados diz respeito a emendas parlamentares ao orçamento, especialmente recursos destinados a obras e serviços públicos. Entre os pontos restabelecidos estão investimentos para construção de unidades de saúde, melhorias na educação, ações voltadas ao esporte e medidas para enfrentar um dos problemas mais sensíveis do município: o abastecimento de água. A derrubada, na prática, mantém as alterações feitas pelo Legislativo na Lei Orçamentária Anual e no Plano Plurianual, instrumentos centrais da gestão municipal. Nos bastidores, vereadores afirmam que o cenário poderia ter sido ainda mais duro para o Executivo. A expectativa interna era de que os 46 vetos fossem derrubados. Parte deles, no entanto, acabou mantida por erros técnicos cometidos pelos próprios parlamentares na formulação de emendas, o que inviabilizou juridicamente a reversão integral. Ainda assim, a leitura política é de que houve uma vitória expressiva do Legislativo. A situação também carrega peso simbólico em relação ao secretário de Governo. A nomeação de Silvio Fidelis, que foi coordenador da campanha de Calil Baracat em 2024 — adversário da atual prefeita — já havia provocado desconforto entre parlamentares. A votação desta terça-feira foi interpretada como um “chega pra lá” tanto ao secretário quanto à prefeita, deixando claro que o discurso de alinhamento não se converteu em articulação eficaz dentro do plenário. O presidente do Legislativo, Vanderlei Serqueira, reforçou à imprensa que o plenário é soberano e que a maioria acompanhou os pareceres da Comissão de Constituição e Justiça. Segundo ele, apenas dois casos apresentaram problemas específicos, mas os demais votos seguiram orientação técnica. Questionado sobre os erros apontados em parte dos projetos, esclareceu que não partiram do Executivo, mas dos próprios vereadores ao encaminharem suas emendas. Para o presidente, o desfecho foi positivo para a Casa, que manteve seu posicionamento e demonstrou independência institucional. O contraste entre a declaração prévia de que haveria votos suficientes para sustentar os vetos e o resultado efetivo da sessão consolidou a percepção de fragilidade política do Executivo. A mensagem do plenário foi direta: a Câmara demonstrou autonomia e deixou evidente que a prefeita precisará reconstruir pontes e reorganizar sua articulação se quiser retomar estabilidade política ao longo de 2026. A primeira sessão do ano, longe de ser apenas protocolar, transformou-se no palco de uma derrota histórica e de um novo capítulo na queda de braço entre Executivo e Legislativo em Várzea Grande. Veja o que disse o presidente: [playlist type="video" ids="376512"]