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Prefeitura desmonta versão de Amauri, nega colapso financeiro e questiona pagamento antecipado de R$ 21 milhões

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Prefeitura desmonta versão de Amauri, nega colapso financeiro e questiona pagamento antecipado de R$ 21 milhões

JB News

Por Nayara Cristina

A disputa em torno das contas da Educação de Cuiabá ganhou um novo capítulo nesta semana e elevou ainda mais a tensão entre a atual administração municipal e o ex-secretário de Educação, Amauri Monge. Após as declarações feitas pelo ex-gestor na Câmara Municipal, a Prefeitura divulgou uma resposta oficial rebatendo as acusações de desequilíbrio financeiro na pasta e defendendo a legalidade da execução orçamentária realizada durante o exercício de 2025.

O confronto ocorre em meio às investigações sobre uma tentativa de contratação de materiais didáticos que, segundo a atual gestão, poderia gerar um desembolso de aproximadamente R$ 70 milhões aos cofres públicos. O caso já foi encaminhado para órgãos de controle e investigação, incluindo Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público, Tribunal de Contas e Controladoria Geral do Município.

Em sua manifestação aos vereadores, Amauri Monge sustentou que a Educação cumpriu seu planejamento pedagógico e financeiro durante sua gestão. O ex-secretário também argumentou que as decisões tomadas pela pasta eram de conhecimento da administração municipal e que os procedimentos seguiam o planejamento aprovado para o setor.

A Prefeitura, por sua vez, afirma que não houve qualquer descumprimento dos índices constitucionais da Educação e que os recursos aplicados em 2025 atenderam às exigências legais. Segundo a administração, os valores apontados pelo ex-secretário correspondem a restos a pagar, mecanismo previsto na legislação fiscal para despesas empenhadas em um exercício e quitadas posteriormente.

O ponto mais sensível da divergência envolve a aquisição de materiais didáticos que passou a ser questionada pela gestão do prefeito Abilio Brunini. De acordo com o Executivo municipal, aproximadamente R$ 21 milhões teriam sido pagos logo no início do ano para esse tipo de contratação, enquanto unidades escolares enfrentavam dificuldades consideradas prioritárias, como manutenção predial, limpeza, alimentação escolar, transporte de estudantes e reformas estruturais.

Foi justamente a partir da análise desses pagamentos que a atual administração decidiu abrir uma investigação interna em janeiro deste ano. Segundo a Prefeitura, auditorias preliminares identificaram indícios que justificaram a suspensão de novos desembolsos e o encaminhamento do caso para órgãos de fiscalização. A gestão sustenta que cerca de R$ 20 milhões já haviam sido efetivamente pagos quando os procedimentos foram interrompidos.

Outro argumento apresentado pela Prefeitura é que não houve qualquer tentativa de ocultação de despesas públicas. A administração rebate a tese de que teria ocorrido uma espécie de manobra fiscal e afirma que todos os compromissos financeiros da Educação estavam devidamente registrados nos sistemas contábeis oficiais do município.

A discussão ganhou dimensão política porque ocorre poucos meses após a saída de Amauri Monge do comando da Secretaria de Educação. Enquanto a atual gestão aponta possíveis irregularidades em contratos firmados pela pasta, o ex-secretário nega qualquer ilegalidade e afirma que as decisões adotadas seguiram critérios técnicos e pedagógicos.

Nos bastidores da Câmara Municipal, o caso já provoca desdobramentos políticos. Vereadores da oposição defendem uma investigação mais ampla para esclarecer a origem dos contratos e a responsabilidade pelas decisões administrativas, enquanto parlamentares ligados ao Executivo sustentam que a abertura das auditorias demonstra compromisso com a transparência e a fiscalização dos recursos públicos.

Com documentos sob análise dos órgãos de controle e uma troca pública de acusações entre integrantes da atual e da antiga gestão da Educação, o episódio se transformou em uma das maiores crises administrativas enfrentadas pela Prefeitura de Cuiabá neste início de mandato. O resultado das investigações deverá definir se as suspeitas apontadas pela administração municipal se confirmarão ou se as contratações questionadas seguiram os parâmetros legais previstos para a administração pública.