JB News
por Nayara Cristina
A morte da empresária Jéssica Santiago de Souza, de 33 anos, causou forte comoção em Tangará da Serra, município localizado a cerca de 253 quilômetros de Cuiabá. Ela morreu no dia 17 de fevereiro durante a realização de procedimentos estéticos em uma unidade hospitalar da cidade. O caso está sob investigação da Polícia Civil, que apura se houve erro médico ou alguma intercorrência grave relacionada à cirurgia.
De acordo com as informações repassadas pela família, Jéssica deu entrada na unidade de saúde para realizar três procedimentos combinados sob anestesia geral: cruroplastia (cirurgia plástica nas coxas), lipoescultura — técnica de remoção de gordura localizada — e aplicação de tecnologia para retração total da pele. Segundo relato dos familiares, todos os exames pré-operatórios foram realizados e, até então, a empresária não apresentava qualquer problema de saúde que a impedisse de passar pelo procedimento.
Durante o início da cirurgia, quando a equipe médica realizava a lipospiração na região superior das coxas, Jéssica teria apresentado instabilidade hemodinâmica — condição caracterizada por falhas no sistema cardiovascular que comprometem a circulação adequada de sangue no organismo. O quadro evoluiu rapidamente para uma parada cardiorrespiratória ainda dentro do centro cirúrgico.
A equipe médica iniciou manobras de reanimação imediatamente, mas, apesar das tentativas, a empresária não resistiu e morreu na própria unidade hospitalar. Após a confirmação do óbito, a Polícia Civil e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foram acionadas para realizar os procedimentos de praxe, incluindo exame de necrópsia, que deverá apontar a causa exata da morte.
A investigação foi instaurada a pedido do marido da vítima, conforme informou a família. Nesta semana, a filha de Jéssica, Yasmin Souza Menezes, concedeu entrevista ao portal Primeira Página e afirmou que a mãe estava completamente saudável antes da cirurgia. “Se tivesse algo impedindo ela de realizar essa cirurgia, ela não teria feito. Ela cuidou bem da saúde para fazer o procedimento”, declarou.
A Polícia Civil informou que aguarda o laudo pericial para esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se houve negligência, imprudência, imperícia ou se a fatalidade decorreu de uma complicação rara, porém possível, em procedimentos cirúrgicos sob anestesia geral. A depender do resultado dos exames e da análise técnica dos prontuários médicos, depoimentos da equipe envolvida e demais documentos, o caso poderá ser enquadrado como homicídio culposo — quando não há intenção de matar — ou ser arquivado caso fique comprovada ausência de falha.
O caso reacende o debate sobre os riscos de procedimentos estéticos combinados, especialmente aqueles realizados sob anestesia geral e com múltiplas intervenções no mesmo ato cirúrgico. Especialistas da área médica alertam que, embora exames pré-operatórios reduzam riscos, nenhuma cirurgia é isenta de complicações, sobretudo quando envolve grande manipulação corporal e tempo prolongado em centro cirúrgico.
Enquanto a investigação avança, familiares e amigos aguardam respostas que possam esclarecer o que de fato ocorreu dentro do centro cirúrgico naquela manhã de 17 de fevereiro. A morte precoce da empresária, descrita por pessoas próximas como dedicada à família e aos negócios, deixou a comunidade de Tangará da Serra em luto e em busca de explicações.