Polícia Civil prende quatro em Cuiabá e desarticula núcleo financeiro de facção criminosa

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JB News por Emerson Teixeira Fotos: divulgação da Polícia Civil Operação Retirada: quatro são presos em Cuiabá e Polícia Civil desarticula núcleo financeiro de facção criminosa em Mato Grosso Uma operação deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (10) resultou na prisão de quatro pessoas suspeitas de integrar o núcleo financeiro de uma facção criminosa que atua em Mato Grosso. A ação, batizada de Operação Retirada, foi conduzida por equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), em Cuiabá, e teve como foco desmontar um esquema responsável por administrar e ocultar recursos obtidos com atividades ilícitas. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão expedidos pela Justiça contra investigados apontados como responsáveis por movimentar e distribuir valores provenientes de crimes como tráfico de drogas, golpes, estelionato e outras práticas ilegais atribuídas à organização criminosa. De acordo com as investigações, o grupo atuava diretamente no gerenciamento financeiro da facção, utilizando contas bancárias de terceiros para receber e movimentar dinheiro de origem criminosa. As apurações apontam ainda que parte dos investigados possui ligação familiar com um dos principais líderes da facção no estado, conhecido como “Dandão”, apontado pelas autoridades como envolvido em diversos crimes, entre eles tráfico de drogas, exploração de jogos ilegais de azar, estelionato e lavagem de dinheiro. Entre os alvos da operação está um sobrinho do líder criminoso, além de outras pessoas que mantinham vínculo afetivo e operacional com ele dentro do esquema. Segundo a Polícia Civil, para ocultar e dissimular os valores obtidos ilegalmente, a organização utilizava um sistema estruturado de “laranjas”. Nesse modelo, contas bancárias de terceiros eram utilizadas para receber depósitos e transferências de recursos provenientes das atividades criminosas. Esses valores eram posteriormente sacados ou redistribuídos de acordo com a hierarquia da facção. As investigações revelaram que dois dos suspeitos presos atuavam como responsáveis pela obtenção dessas contas bancárias de terceiros e pela coordenação da movimentação financeira do esquema. Eles seriam os encarregados de captar pessoas dispostas a ceder contas para uso da organização e organizar as transações bancárias utilizadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito. Outro integrante do grupo exercia o papel de executor operacional, sendo responsável por realizar saques em dinheiro e fazer a entrega dos valores conforme orientação dos demais integrantes da facção. As autoridades identificaram ainda que as contas utilizadas funcionavam como uma espécie de “caixa” da organização criminosa, recebendo depósitos e repasses que posteriormente eram distribuídos entre integrantes do grupo. Durante o trabalho investigativo, a Polícia Civil também encontrou indícios de patrimônio incompatível com a renda declarada por alguns dos investigados, o que reforçou as suspeitas de participação no esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de valores provenientes de crimes. De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Antenor Júnior Pimentel Marcondes, a atuação dos chamados sacadores tinha papel estratégico dentro da estrutura financeira da organização criminosa. Além de providenciar contas bancárias e executar movimentações financeiras, os investigados também eram responsáveis por operacionalizar a divisão dos valores arrecadados com as atividades ilícitas, repassando percentuais à facção e distribuindo parte do dinheiro entre os envolvidos. Segundo o delegado, a dinâmica identificada demonstra que o grupo integrava uma estrutura organizada e fundamental para a sustentação financeira da facção criminosa, responsável por administrar e distribuir os recursos que financiavam as atividades ilegais. A Operação Retirada é um desdobramento das ações desenvolvidas no âmbito da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renocrim), que reúne delegados e promotores de Justiça de 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. A rede é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência Operacional Integrada (DIOP), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com o objetivo de fortalecer estratégias de inteligência e repressão qualificada contra o crime organizado no país. A operação contou ainda com o apoio de diversas unidades especializadas da Polícia Civil, entre elas a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), Delegacia Especializada de Fiscalização e Defesa do Consumidor (Defaz), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (Derfva), além da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso de Várzea Grande (DEDMCI-VG) e da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran). Para a Polícia Civil, a desarticulação do núcleo financeiro representa um golpe significativo na estrutura da facção criminosa, uma vez que o setor era responsável por administrar e ocultar os recursos ilícitos que sustentavam a atuação do grupo em Mato Grosso. As investigações continuam com o objetivo de identificar outros envolvidos no esquema e aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras ligadas à organização criminosa.