Segundo a Polícia Civil, para ocultar e dissimular os valores obtidos ilegalmente, a organização utilizava um sistema estruturado de “laranjas”. Nesse modelo, contas bancárias de terceiros eram utilizadas para receber depósitos e transferências de recursos provenientes das atividades criminosas. Esses valores eram posteriormente sacados ou redistribuídos de acordo com a hierarquia da facção.
As investigações revelaram que dois dos suspeitos presos atuavam como responsáveis pela obtenção dessas contas bancárias de terceiros e pela coordenação da movimentação financeira do esquema. Eles seriam os encarregados de captar pessoas dispostas a ceder contas para uso da organização e organizar as transações bancárias utilizadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito.
Outro integrante do grupo exercia o papel de executor operacional, sendo responsável por realizar saques em dinheiro e fazer a entrega dos valores conforme orientação dos demais integrantes da facção. As autoridades identificaram ainda que as contas utilizadas funcionavam como uma espécie de “caixa” da organização criminosa, recebendo depósitos e repasses que posteriormente eram distribuídos entre integrantes do grupo.
Durante o trabalho investigativo, a Polícia Civil também encontrou indícios de patrimônio incompatível com a renda declarada por alguns dos investigados, o que reforçou as suspeitas de participação no esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de valores provenientes de crimes.
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, Antenor Júnior Pimentel Marcondes, a atuação dos chamados sacadores tinha papel estratégico dentro da estrutura financeira da organização criminosa. Além de providenciar contas bancárias e executar movimentações financeiras, os investigados também eram responsáveis por operacionalizar a divisão dos valores arrecadados com as atividades ilícitas, repassando percentuais à facção e distribuindo parte do dinheiro entre os envolvidos.
Segundo o delegado, a dinâmica identificada demonstra que o grupo integrava uma estrutura organizada e fundamental para a sustentação financeira da facção criminosa, responsável por administrar e distribuir os recursos que financiavam as atividades ilegais.
A Operação Retirada é um desdobramento das ações desenvolvidas no âmbito da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renocrim), que reúne delegados e promotores de Justiça de 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. A rede é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência Operacional Integrada (DIOP), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com o objetivo de fortalecer estratégias de inteligência e repressão qualificada contra o crime organizado no país.
A operação contou ainda com o apoio de diversas unidades especializadas da Polícia Civil, entre elas a Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), Delegacia Especializada de Fiscalização e Defesa do Consumidor (Defaz), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (Derfva), além da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso de Várzea Grande (DEDMCI-VG) e da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran).
Para a Polícia Civil, a desarticulação do núcleo financeiro representa um golpe significativo na estrutura da facção criminosa, uma vez que o setor era responsável por administrar e ocultar os recursos ilícitos que sustentavam a atuação do grupo em Mato Grosso. As investigações continuam com o objetivo de identificar outros envolvidos no esquema e aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras ligadas à organização criminosa.