JB News
por Nayara Cristina
A Polícia Civil de Mato Grosso encerrou, no final da tarde de sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, um dos casos criminais mais violentos e impactantes já registrados contra motoristas de aplicativo na região metropolitana. Com a prisão do último foragido, foi concluída a investigação sobre a série de latrocínios ocorridos em abril de 2024, que terminou com a morte de três trabalhadores em Cuiabá e Várzea Grande.
A ação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O suspeito, identificado como Ackel Lopes de Campos, de 20 anos, era considerado foragido da Justiça e já havia sido indiciado no inquérito instaurado para apurar os crimes. Ele teve o mandado de prisão preventiva cumprido após ser localizado na cidade de Juara. A ordem judicial foi expedida pela Quarta Vara Criminal de Várzea Grande. A prisão contou com apoio das equipes da Polícia Civil de Juína e do Núcleo de Inteligência de Pontes e Lacerda, que auxiliaram na troca de informações e no levantamento do paradeiro do investigado.
As investigações apontaram que o grupo criminoso agia de forma articulada e extremamente violenta. As vítimas eram atraídas por corridas solicitadas por meio de aplicativos, rendidas sob grave ameaça, mantidas em restrição de liberdade e, posteriormente, assassinadas. Após os crimes, os corpos eram ocultados e os veículos subtraídos passavam a ser negociados de maneira ilegal, com a participação de integrantes responsáveis por intermediar falsos compradores.
Nos primeiros dias após os assassinatos, a Polícia Civil prendeu dois adultos — um homem e uma mulher — e apreendeu dois adolescentes, ambos de 15 anos, por envolvimento direto nos latrocínios e na ocultação de cadáver. O homem, então com 20 anos, foi autuado em flagrante pelos crimes de roubo majorado pelo concurso de pessoas, restrição da liberdade das vítimas, emprego de arma branca, resultado morte, ocultação de cadáver e corrupção de menores. Os adolescentes responderam por atos infracionais análogos aos crimes de roubo majorado e ocultação de cadáver.
Três dias depois, os investigadores identificaram e prenderam uma mulher apontada como responsável por solicitar as corridas por meio do aplicativo e por se passar como intermediária na negociação dos veículos roubados das vítimas assassinadas. Com o aprofundamento das apurações, a DHPP chegou à identificação do quinto envolvido, Akel Lopes de Campos, que permaneceu foragido até ser localizado em Juara, resultando agora no desfecho definitivo do caso.
As vítimas foram Márcio Rodrigues, de 34 anos, Eliseu Rosa Coelho, de 58 anos, e Nilson Nogueira, de 42 anos. Os três desapareceram entre os dias 11 e 14 de abril de 2024, após saírem de casa para trabalhar no período noturno como motoristas de aplicativo. Após a prisão e apreensão dos envolvidos, policiais civis localizaram os corpos de Márcio e Eliseu em um lixão no bairro Jardim Petrópolis, próximo à região conhecida como Capão de Pequim, em Várzea Grande. O corpo de Nilson foi encontrado dias depois em uma área do distrito de Bom Sucesso, no mesmo município.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou ainda uma quarta vítima, sequestrada dias antes da mesma forma utilizada nos demais crimes. Esse motorista conseguiu escapar com vida, fato que contribuiu para o avanço das apurações e para a reconstituição da dinâmica criminosa adotada pelo grupo.
Com a prisão de Akel Lopes de Campos, a Polícia Civil afirma que todos os responsáveis pelos latrocínios foram identificados, presos ou apreendidos, dando uma resposta à sociedade diante de crimes que causaram forte comoção social. Quase dois anos depois, o caso chega ao fim com a responsabilização de todos os envolvidos e com a lembrança de três trabalhadores que saíram de casa para trabalhar e jamais retornaram.