JB News
Por Nayara Cristina
A Polícia Civil de Mato Grosso concluiu o inquérito que apurou o estupro de uma mulher ocorrido no interior da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso e indiciou o investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, pelos crimes de estupro e abuso de autoridade. O procedimento foi remetido ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para o prosseguimento da ação penal. Além da responsabilização criminal, o servidor também responderá a processo administrativo disciplinar no âmbito da instituição.
O caso veio à tona em dezembro de 2025, após requisição do Ministério Público informando que uma mulher custodiada na unidade policial teria sido abusada sexualmente por um investigador enquanto permanecia presa em razão de cumprimento de mandado e prisão temporária pelo crime de homicídio. Diante da gravidade da denúncia, foi instaurado inquérito para apuração imediata dos fatos.
Durante as investigações, foram colhidos depoimentos de outras detentas que dividiram cela com a vítima, além de policiais plantonistas e do próprio servidor apontado como suspeito. A equipe responsável também requisitou exames periciais, incluindo o confronto entre material genético do investigado e material biológico coletado da vítima. O laudo apontou compatibilidade genética, elemento considerado determinante para o indiciamento.
Com base nas provas reunidas, a autoridade policial representou pela prisão preventiva do investigador, além da expedição de mandados de busca e apreensão e quebra de sigilo de dados telefônicos. As ordens judiciais foram cumpridas no domingo, 1º de fevereiro. O policial civil encontra-se preso na Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães, após passar por audiência de custódia.
A Corregedoria-Geral instaurou procedimento administrativo disciplinar para apurar responsabilidades e adotar as providências cabíveis na esfera interna. Em nota, a Polícia Civil manifestou repúdio à conduta atribuída ao servidor e destacou que atua com transparência e rigor sempre que surgem indícios de irregularidades envolvendo integrantes da corporação. A delegada-geral Danieli Maidel classificou o episódio como um caso isolado e afirmou que a instituição não compactua com qualquer tipo de crime.
A mulher que denunciou o abuso havia sido presa por suposto envolvimento em homicídio ocorrido em Sorriso. No curso das investigações relacionadas a esse crime, a Delegacia representou pela renovação da prisão temporária. Posteriormente, foi expedido mandado de prisão preventiva pelos crimes de tortura e organização criminosa. Ela encontra-se foragida, e o inquérito referente ao homicídio segue em andamento.
O caso ganhou forte repercussão no município, que fica a aproximadamente 420 quilômetros de Cuiabá, e reacendeu o debate sobre mecanismos de controle e fiscalização dentro das unidades policiais. Com o encerramento do inquérito, o Ministério Público deverá analisar a denúncia e decidir sobre o oferecimento formal da ação penal contra o servidor.