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por Nayara Cristina
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, fez um alerta contundente sobre o risco de uma temporada severa de incêndios florestais em 2026 durante o lançamento do Plano de Combate ao Desmatamento Ilegal e Incêndios Florestais realizado nesta segunda-feira. Em um discurso marcado por preocupação e realismo, Pivetta afirmou que o cenário climático previsto para este ano é mais delicado que o de 2025 devido ao grande acúmulo de biomassa e à influência do fenômeno El Niño.
Segundo o governador em exercício, apesar dos avanços obtidos nos últimos anos em conscientização ambiental, estrutura operacional e integração entre forças estaduais e federais, o Estado ainda enfrenta limitações físicas para combater incêndios em um território da dimensão de Mato Grosso.
Pivetta relembrou os impactos devastadores registrados em 2020 e 2024, anos marcados por incêndios de grandes proporções no Pantanal e em outras regiões do estado. De acordo com ele, o ano passado apresentou condições climáticas mais favoráveis, com frequentes frentes frias e maior presença de umidade, o que ajudou a reduzir drasticamente os focos de incêndio.
“O ano passado foi uma seca amiga. Já este ano, a previsão é de uma seca inimiga”, declarou.
O governador explicou que a redução das queimadas em 2025 ocorreu tanto pelo aumento das ações preventivas quanto pelas condições climáticas menos agressivas. Ainda assim, ele afirmou que o acúmulo de vegetação que deixou de queimar no último período agora se transformou em um fator de preocupação para 2026.
Segundo Pivetta, o volume de biomassa acumulada no estado é significativamente maior do que o registrado no ano anterior, aumentando o potencial de propagação rápida do fogo em caso de estiagem severa.
Durante o pronunciamento, o governador destacou os investimentos feitos pelo Estado nos últimos sete anos em equipamentos, logística e estrutura de combate aos incêndios. Entre as ações citadas estão a entrega de cerca de 150 caminhões-pipa para municípios do interior, ampliação das brigadas de combate e fortalecimento das parcerias com produtores rurais e órgãos ambientais.
Pivetta também afirmou que Mato Grosso possui atualmente uma das maiores estruturas de apoio aéreo do país, com aproximadamente 800 aeronaves agrícolas que poderão ser utilizadas em operações emergenciais de combate ao fogo.
O governador ressaltou ainda a mudança no perfil da produção agropecuária no estado, afirmando que a expansão do plantio direto em áreas agrícolas reduziu significativamente a prática de queimadas para renovação de pastagens.
“Hoje o produtor cuida da palhada como cuida da própria casa. Se essa área queimar, ele perde produtividade no ano seguinte”, afirmou.
Apesar do cenário de preocupação, Pivetta disse acreditar que houve evolução na consciência ambiental da população mato-grossense, principalmente entre crianças e jovens, graças às ações de educação ambiental desenvolvidas nas escolas.
O governador também defendeu união entre municípios, Estado, governo federal, forças de segurança e produtores rurais para enfrentar o período de estiagem. Segundo ele, a comunicação e a conscientização da população serão ferramentas estratégicas para reduzir os danos ambientais e à saúde pública causados pela fumaça.
“Nós não vamos fazer guerra de narrativa para culpar ninguém. Precisamos de esforço conjunto para prevenir e combater os incêndios”, declarou.
Ao encerrar o discurso, Pivetta afirmou que o governo estadual continuará ampliando investimentos em prevenção e combate ao fogo, mas reconheceu que 2026 deverá ser um dos anos mais desafiadores dos últimos períodos devido às condições climáticas previstas para Mato Grosso.
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