A crise envolvendo o suposto desvio de R$ 80 milhões na Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (29), com a presidente da Câmara Municipal, Paula Calil, defendendo o aprofundamento das investigações e cobrando esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos públicos apontados pelo prefeito Abilio Brunini.
Durante uma vistoria técnica realizada no almoxarifado da Educação ao lado de representantes do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Paula afirmou que há diversos questionamentos sobre compras realizadas pela pasta, especialmente relacionadas à aquisição de materiais e livros que, segundo ela, não estariam compatíveis com a realidade das escolas da rede municipal.
Um dos exemplos citados pela presidente foi a compra de livros voltados para informática em unidades que sequer possuem laboratórios adequados para a utilização do material.
“Como ensinar informática para as crianças se muitas escolas não possuem laboratório? São questionamentos que precisam ser esclarecidos”, afirmou.
A declaração ocorre um dia após o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, rebater duramente as acusações feitas pelo prefeito Abilio Brunini. Durante coletiva de imprensa, Amauri negou qualquer irregularidade, classificou as denúncias como “falácias” e afirmou que o verdadeiro problema da gestão seria um déficit superior a R$ 100 milhões, além de supostas pedaladas fiscais que estariam sendo escondidas por meio de uma cortina de fumaça política.
No centro da polêmica está a denúncia feita pelo próprio prefeito de que teria identificado indícios de um suposto esquema de desvios ocorrido dentro de sua própria administração, durante o ano de 2025. Embora tenha afirmado possuir informações sobre possíveis responsáveis, Abilio ainda não revelou nomes nem apresentou provas públicas sobre as suspeitas.
A repercussão do caso levou vereadores a protocolarem dois pedidos de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Os requerimentos foram apresentados pela vereadora Maísa Leão e pelo vereador Denilson Nogueira.
Entretanto, Paula Calil explicou que a instalação imediata de uma nova CPI esbarra em uma limitação regimental da própria Câmara Municipal. Atualmente, cinco CPIs já estão em andamento, número máximo permitido simultaneamente pelo Legislativo cuiabano.
Segundo a presidente, uma nova investigação parlamentar só poderá ser aberta após a conclusão de uma das comissões já existentes.
Apesar disso, Paula destacou que a Câmara não permanecerá inerte diante das denúncias. A Comissão de Educação já iniciou movimentações para ouvir personagens centrais da polêmica. Entre os convidados para prestar esclarecimentos estão o secretário de Economia, Marcelo Bussiki, o contador Éder Moraes e a servidora Luciane, citados durante os debates realizados no plenário.
A presidente também demonstrou preocupação com o contraste entre as dificuldades enfrentadas pelas escolas no início do ano letivo e os gastos agora questionados. Ela relembrou visitas
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VEJA:realizadas em janeiro, quando diretores relataram dificuldades para receber recursos destinados a pequenos reparos, compra de materiais de limpeza e manutenção básica das unidades.
“Os recursos chegaram à Secretaria de Educação, mas agora precisamos entender quais foram as prioridades adotadas e por que algumas necessidades urgentes das escolas não foram atendidas”, afirmou.
Embora a CPI ainda dependa da conclusão de outra comissão para ser formalmente instalada, o clima na Câmara é de crescente pressão por respostas. O caso já mobiliza vereadores da base e da oposição e promete dominar os debates políticos nas próximas semanas.
Enquanto Abilio sustenta a existência de um rombo milionário e Amauri Monge denuncia uma tentativa de desviar o foco dos problemas financeiros da atual gestão, o Legislativo tenta construir uma linha de investigação própria para esclarecer quem tem razão em uma das maiores crises políticas e administrativas enfrentadas pela Educação de Cuiabá nos últimos anos.
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