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“Fim da escala 6x1 é pauta eleitoreira; governo deveria combater facções”, diz Pivetta sobre avanços do crime no Brasil

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“Fim da escala 6x1 é pauta eleitoreira; governo deveria combater facções”, diz Pivetta sobre avanços do crime no Brasil

JB News

Por Nayara Cristina

O governador em exercício de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, elevou o tom contra a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil e classificou a discussão como uma medida de forte apelo político e eleitoral. Ao comentar a proposta aprovada na Câmara dos Deputados, que reduz a jornada semanal de trabalho e amplia o número de dias de descanso dos trabalhadores, Pivetta afirmou que o debate tem sido conduzido mais pela busca de popularidade do que por uma preocupação real com a produtividade, a economia e a geração de empregos.

Segundo o governador, o tema ganhou velocidade justamente em um momento de forte disputa política nacional, o que, na avaliação dele, reforça a percepção de que a proposta possui caráter eleitoreiro. Para Pivetta, o Estado não deve interferir excessivamente nas relações entre empregadores e trabalhadores, defendendo que acordos coletivos e negociações entre sindicatos e empresas já oferecem instrumentos suficientes para definir jornadas e condições de trabalho.

“O Brasil já tem leis demais. O que precisa é fazer cumprir as leis que existem”, argumentou o governador ao defender maior liberdade econômica e menos intervenção governamental nas relações produtivas.

A declaração ocorre em meio à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6x1 e estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado aos trabalhadores sem redução salarial. O texto aprovado prevê uma transição gradual, com redução inicial para 42 horas semanais e posterior diminuição para 40 horas.  

Atualmente, a escala 6x1 é amplamente utilizada em diversos setores da economia brasileira, especialmente no comércio, supermercados, serviços, logística, indústria e parte do agronegócio. Em Mato Grosso, modelo semelhante é comum em segmentos ligados ao varejo, frigoríficos, centros de distribuição, construção civil e atividades que exigem funcionamento contínuo, principalmente nas regiões de maior expansão econômica do estado.

Embora a proposta tenha sido defendida por parlamentares e setores que argumentam que a mudança melhora a qualidade de vida dos trabalhadores, amplia o convívio familiar e reduz o desgaste físico e mental, ela também enfrenta resistência de empresários, representantes do setor produtivo e lideranças políticas que alertam para possíveis impactos sobre custos, contratação de mão de obra e competitividade.  

Mas foi além da crítica trabalhista que Pivetta concentrou sua fala. O governador aproveitou o debate para cobrar uma postura mais firme do governo federal diante do avanço das facções criminosas no país. Segundo ele, enquanto Brasília discute mudanças nas relações econômicas e trabalhistas, temas considerados urgentes pela população continuam sem respostas efetivas.

Na avaliação do governador, o crime organizado já disputa espaço com o próprio Estado brasileiro em diversas regiões do país, influenciando comunidades, recrutando jovens e ampliando sua presença econômica e territorial. Para ele, falta uma estratégia nacional integrada capaz de enfrentar o crescimento dessas organizações.

“Onde precisa endurecer mesmo é no crime organizado. A gente não vê uma ação séria unindo o Brasil para combater esse Estado paralelo”, afirmou.

A declaração reforça um discurso que tem ganhado espaço entre governadores e lideranças estaduais, principalmente em estados que convivem diretamente com rotas do narcotráfico, avanço de facções e crescimento dos índices de violência ligados ao crime organizado.

Enquanto a PEC do fim da escala 6x1 segue agora para análise do Senado Federal, o debate deve continuar dividindo o país entre aqueles que defendem a redução da jornada como avanço social e os que enxergam na proposta um movimento político que pode gerar impactos econômicos e ampliar a insegurança jurídica para empregadores. Para Pivetta, porém, a prioridade do governo federal deveria estar em outro campo: o enfrentamento direto às organizações criminosas que, segundo ele, avançam sobre territórios, economias e sobre a própria autoridade do Estado brasileiro.  

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