OFENSIVA CONTRA O CRIME

Operação Hidra expõe infiltração no IML e revela esquema que abastecia PCC com identidades falsas em Mato Grosso

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Operação Hidra expõe infiltração no IML e revela esquema que abastecia PCC com identidades falsas em Mato Grosso

JB News

Por Emerson Teixeira

A deflagração da Operação Hidra, na manhã desta quarta-feira, revelou um dos mais graves esquemas de infiltração criminosa já identificados dentro da estrutura pública de identificação civil em Mato Grosso. O principal alvo da investigação é o papiloscopista Wilton de Souza Arruda, servidor da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), suspeito de atuar diretamente na emissão de documentos falsos utilizados por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ofensiva da Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do servidor, em Várzea Grande, e também dentro do Instituto Médico Legal (IML), em Cuiabá, local onde ele exercia funções estratégicas ligadas ao sistema de identificação humana. Durante as buscas, os investigadores encontraram canetas emagrecedoras e anabolizantes contrabandeados, o que levou à prisão em flagrante do servidor por suspeita de comercialização ilegal dos produtos.

Segundo as investigações, o esquema teria sido usado para garantir novas identidades a integrantes da facção paulista, permitindo que criminosos circulassem livremente pelo país sob nomes falsos, dificultando a atuação das forças de segurança e ampliando a capacidade operacional do PCC em Mato Grosso. A Polícia Civil apura agora quantos documentos teriam sido fraudados e quantos integrantes da organização criminosa foram beneficiados pela estrutura clandestina.

As investigações começaram ainda em julho de 2025, durante a primeira fase da Operação Hidra, após a prisão de Ricardo Batista Ambrózio, conhecido pelos apelidos de “Perfume” e “Kaiak”. Considerado integrante de alta relevância dentro da facção, ele vivia há pelo menos 12 anos escondido em Mato Grosso utilizando documentação falsa. Além dele, a esposa e os dois filhos menores também estariam utilizando identidades fraudulentas para manter a aparência de uma vida comum e escapar do monitoramento policial.

Relatórios do Ministério Público de São Paulo apontam que Kaiak mantinha ligação direta com integrantes da cúpula nacional do PCC, funcionando como elo entre criminosos presos e operadores externos da organização. Entre os contatos mencionados nas apurações está o nome de Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como líder máximo da facção criminosa.

A descoberta reforçou a suspeita das autoridades de que o PCC mantém há anos uma estrutura consolidada em Mato Grosso, utilizando o estado como rota estratégica para expansão operacional, lavagem de dinheiro e articulação logística do crime organizado. De acordo com informações levantadas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), a presença da facção no estado remonta ao ano de 1999, quando Marcola permaneceu preso por cerca de seis meses na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, após participação no assalto milionário à agência matriz do Banco do Brasil, crime que teve repercussão nacional na época.

Os investigadores acreditam que, desde então, o PCC construiu uma rede silenciosa de apoio em Mato Grosso, infiltrando-se em diversos setores e ampliando sua influência dentro e fora do sistema penitenciário. A suspeita de que um servidor ligado ao sistema oficial de identificação possa ter atuado para fornecer documentos falsos a criminosos considerados de alta periculosidade elevou o nível de preocupação das autoridades de segurança pública.

A Polícia Civil agora trabalha para identificar outros possíveis envolvidos no esquema, incluindo eventuais intermediários e beneficiários da fraude documental. A Operação Hidra também busca dimensionar se a estrutura criminosa tinha ramificações em outros estados e se o esquema pode ter sido utilizado para esconder foragidos da Justiça, facilitar movimentações financeiras clandestinas e permitir a expansão territorial da facção criminosa em Mato Grosso e na região Centro-Oeste.