CRISE SOCIAL

Abílio dispara contra política para moradores de rua e diz que Cuiabá vive “cracolândia a céu aberto” no centro histórico

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Abílio dispara contra política para moradores de rua e diz que Cuiabá vive “cracolândia a céu aberto” no centro histórico

JB News

Por Emerson Teixeira

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, elevou o tom do debate sobre a crise social envolvendo moradores de rua, dependência química e insegurança urbana na capital mato-grossense ao afirmar que as atuais políticas públicas adotadas no país estariam contribuindo para a permanência de pessoas em situação de vulnerabilidade nas ruas da cidade. Em um discurso duro e repleto de críticas ao sistema de assistência social, ao Judiciário e às políticas nacionais de enfrentamento às drogas, o prefeito declarou que Cuiabá enfrenta um cenário de degradação social crescente, especialmente na região central e no entorno do Morro da Luz.

Durante a fala, Abílio afirmou que o município vive uma espécie de “enxugar gelo” no combate à criminalidade e ao avanço da população em situação de rua, alegando que ações policiais acabam perdendo efeito diante da rápida liberação de suspeitos detidos por furtos, tráfico e outros delitos. Segundo ele, o Centro Histórico da capital sofre diretamente com o crescimento de usuários de drogas, pequenos furtos e ocupações irregulares, situação que, na visão do prefeito, exige mudanças profundas na legislação e nas políticas públicas adotadas atualmente no país.

O prefeito também criticou o modelo de assistência social voltado à população em situação de rua, afirmando que o poder público acaba oferecendo estrutura de alimentação e atendimento sem conseguir promover efetivamente a retirada dessas pessoas das ruas. Segundo Abílio, a prefeitura encontra dificuldades para implementar medidas mais rígidas devido a limitações legais e decisões institucionais que, segundo ele, impedem ações mais severas contra usuários reincidentes, traficantes e criminosos infiltrados entre os moradores de rua.

Um dos principais alvos das críticas foi o Centro Pop, equipamento público voltado ao atendimento de pessoas em vulnerabilidade social. De acordo com o prefeito, operações policiais realizadas no local teriam identificado tráfico de drogas recorrente dentro da unidade, inclusive com prisões de frequentadores e servidores. Ele afirmou que a presença constante de dependentes químicos e criminosos no entorno do centro da cidade cria uma sensação permanente de insegurança para comerciantes, trabalhadores e moradores da região.

Abílio Brunini também anunciou que pretende ampliar o monitoramento e a presença policial no Morro da Luz, ponto histórico de Cuiabá que há anos enfrenta problemas relacionados ao consumo de drogas, furtos e ocupação por moradores de rua. Segundo ele, a intenção é transformar o local em uma das áreas mais seguras do centro da capital por meio de câmeras de vigilância, reforço da Guarda Municipal e ações integradas com a Polícia Militar.

Na avaliação do prefeito, parte significativa das pessoas que vivem atualmente nas ruas da capital seria composta por dependentes químicos vindos de outras cidades e estados, cenário que, segundo ele, estaria sendo agravado pela ausência de uma política nacional mais rígida de combate às drogas e internação de usuários. Abílio chegou a afirmar que muitas capitais brasileiras estariam se transformando em locais de concentração permanente de pessoas em situação de rua ligadas ao consumo de entorpecentes.

As declarações repercutem em meio ao aumento das discussões sobre segurança pública, ocupação urbana e crescimento da pobreza extrema em Cuiabá. Nos últimos anos, comerciantes do Centro Histórico, moradores e entidades empresariais passaram a relatar aumento no número de furtos, vandalismo, consumo de drogas em vias públicas e presença constante de pessoas vivendo nas ruas em áreas comerciais da capital.

As falas do prefeito também devem ampliar o debate entre entidades de direitos humanos, movimentos sociais e representantes do sistema de Justiça, especialmente diante das críticas feitas por Abílio ao atual modelo de assistência social e às decisões judiciais relacionadas à população em situação de rua. Enquanto setores da segurança pública defendem medidas mais rígidas de repressão ao tráfico e à criminalidade urbana, especialistas em assistência social argumentam que o avanço da pobreza, da dependência química e da exclusão social exige políticas públicas de acolhimento, tratamento e reinserção social mais amplas e estruturadas.

Em meio à crescente pressão popular por respostas para a crise social instalada no centro da capital, a prefeitura promete intensificar operações de fiscalização, reforço policial e monitoramento urbano, enquanto o debate sobre os limites entre segurança pública, assistência social e direitos humanos segue dividindo opiniões em Mato Grosso e no restante do país.