JB News
Por Emerson Teixeira
OPERAÇÃO MARÉ VERMELHA
Empresário de Cuiabá é preso em ofensiva nacional contra tráfico e lavagem de dinheiro; Justiça bloqueia R$ 100 milhões
O empresário cuiabano Nucelio Alves Antunes, proprietário de uma distribuidora de bebidas, água e gás na Capital, foi preso durante a Operação Maré Vermelha, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia em uma das maiores ofensivas recentes contra organizações criminosas suspeitas de atuar no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro em diversos estados brasileiros.
A prisão ocorreu em Mato Grosso e integra uma ação coordenada que mobilizou equipes policiais em oito estados. Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e 84 mandados de busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes ou colaboradores de uma estrutura criminosa que, segundo a polícia, movimentava milhões de reais por meio de empresas, patrimônios e operações financeiras utilizadas para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Além das prisões, a operação atingiu diretamente o patrimônio dos investigados. Por determinação judicial, foram bloqueados aproximadamente R$ 100 milhões em bens e valores vinculados ao grupo criminoso. A medida inclui contas bancárias, veículos, imóveis e outros ativos considerados estratégicos para o funcionamento da organização.
Diferentemente de operações que têm como foco principal a apreensão de drogas ou a prisão de traficantes em atividade, a Maré Vermelha foi estruturada para atacar a sustentação financeira da organização. A investigação teve como objetivo identificar como o dinheiro obtido por meio do tráfico era inserido no sistema econômico formal, permitindo que recursos de origem ilícita fossem transformados em patrimônio aparentemente legal.
As investigações foram conduzidas pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO-LD), da Polícia Civil da Bahia. Segundo os investigadores, o trabalho começou a partir do monitoramento de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos.
A análise de extratos bancários, documentos, vínculos empresariais e evolução patrimonial revelou indícios da existência de uma rede utilizada para movimentar recursos supostamente oriundos do tráfico de drogas. Conforme a apuração, empresas formalmente constituídas, terceiros e pessoas interpostas eram utilizados para dificultar o rastreamento do dinheiro e dar aparência de legalidade aos recursos movimentados.
A partir desse cruzamento de informações financeiras e patrimoniais, os investigadores identificaram ramificações da organização criminosa em diferentes estados brasileiros, ampliando o alcance da operação e levando ao cumprimento simultâneo de mandados em diversas regiões do país.
Segundo a Polícia Civil, os investigados utilizavam empresas, contas bancárias e patrimônio registrados em nome de terceiros para ocultar a origem dos recursos. O esquema também envolveria movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos alvos da investigação.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam mais de R$ 117 mil em dinheiro vivo, veículos, armas de fogo, drogas, documentos, computadores, aparelhos celulares e diversos equipamentos eletrônicos. Todo o material recolhido será submetido à perícia e poderá auxiliar na identificação de novos envolvidos e no aprofundamento das investigações.
Embora a polícia tenha confirmado o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva, os nomes da maioria dos investigados ainda não foram divulgados oficialmente. Além de Mato Grosso, houve ações simultâneas na Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados envolvidos no esquema investigado.
De acordo com o diretor do DRACO-LD, delegado Fábio Lordello, o principal resultado da operação foi atingir a estrutura econômica construída pela organização criminosa.
“Mais do que efetuar prisões, esta investigação permitiu identificar e atingir o patrimônio construído com recursos provenientes da atividade criminosa. O bloqueio de aproximadamente R$ 100 milhões representa uma medida estratégica de asfixia financeira da organização”, afirmou.
A avaliação dos investigadores é de que o bloqueio milionário representa um dos golpes mais significativos já aplicados contra a estrutura financeira do grupo. A estratégia busca impedir que recursos obtidos por meio do crime continuem sendo utilizados para financiar novas atividades ilícitas, ampliar a influência da organização e manter suas operações em diferentes estados do país.
Nucelio Alves Antunes e os demais investigados deverão responder por crimes relacionados ao tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações continuam e novas fases da Operação Maré Vermelha não estão descartadas.
Agora, os investigadores concentram esforços na análise dos documentos, celulares, computadores e registros financeiros apreendidos durante a ação. A expectativa é identificar outros possíveis integrantes da organização, rastrear a rota do dinheiro movimentado pelo grupo e dimensionar o patrimônio que teria sido construído com recursos oriundos do tráfico de drogas.