Em meio à escalada da crise envolvendo o suposto rombo de R$ 80 milhões na Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá, o prefeito Abilio Brunini afirmou que não se arrepende de ter convidado o ex-secretário Amaury Monge para integrar sua gestão e defendeu que, no momento da nomeação, não existiam elementos que justificassem o impedimento de sua contratação.
As declarações foram dadas durante agenda pública realizada nesta sexta-feira, poucos dias após a própria Prefeitura denunciar a existência de possíveis irregularidades na aplicação de recursos da Educação municipal. O caso desencadeou uma série de desdobramentos políticos, administrativos e jurídicos, envolvendo o Tribunal de Contas do Estado, a Controladoria-Geral do Município, a Câmara de Vereadores e, futuramente, órgãos de investigação criminal.
Questionado sobre o fato de Amaury Monge já ter sido alvo de questionamentos em outro estado antes de assumir a Secretaria de Educação de Cuiabá, Abilio afirmou que sua equipe tinha conhecimento dessas informações, mas ressaltou que não havia condenação judicial contra o então secretário. Segundo o prefeito, também não existiam registros de denúncias relacionadas à atuação de Monge durante o período em que trabalhou em Mato Grosso.
Abilio explicou que a decisão de nomeá-lo foi baseada em sua experiência profissional e no currículo técnico apresentado à administração municipal. De acordo com o prefeito, Amaury possuía amplo conhecimento da área educacional e havia ocupado funções relevantes ao longo da carreira, fatores que pesaram na escolha para comandar uma das principais pastas da prefeitura.
O prefeito destacou ainda que as suspeitas surgiram apenas após análises internas realizadas pela própria administração. Segundo ele, os primeiros alertas levaram a Prefeitura a encaminhar o caso à Controladoria-Geral do Município para uma apuração mais aprofundada. Somente após os levantamentos preliminares é que a gestão decidiu formalizar as denúncias e comunicar os órgãos de controle.
“Assim que identificamos a suspeita de aplicação irregular de recursos públicos, encaminhamos para a Controladoria, que fez a denúncia juntamente conosco. Chamamos os órgãos de fiscalização para que todas as irregularidades fossem analisadas”, afirmou.
Ao ser perguntado se estava arrependido de ter levado Amaury Monge para a gestão municipal, Abilio respondeu que essa é uma avaliação que só pode ser feita à luz dos fatos que vieram à tona posteriormente. Segundo ele, não havia, no momento da contratação, circunstâncias que indicassem os problemas atualmente investigados.
A declaração ocorre em meio a uma intensa troca de acusações entre o atual prefeito e o ex-secretário da Educação. Enquanto a administração municipal sustenta que foram encontrados indícios de irregularidades milionárias, compras incompatíveis com a realidade das escolas e possíveis fraudes administrativas, Amaury Monge nega qualquer desvio de recursos e afirma que as denúncias possuem motivação política.
Nos últimos dias, o ex-secretário compareceu à Câmara Municipal de Cuiabá, onde apresentou sua versão sobre os fatos. Durante a manifestação, ele contestou a existência do alegado rombo de R$ 80 milhões e acusou a atual gestão de enfrentar graves dificuldades financeiras. Amaury também afirmou que a Prefeitura teria praticado uma pedalada fiscal superior a R$ 100 milhões relacionada aos investimentos obrigatórios na Educação.
O embate elevou a temperatura política na capital e transformou a Educação municipal em um dos principais focos de debate público. De um lado, a Prefeitura sustenta que encontrou indícios suficientes para encaminhar denúncias aos órgãos de controle e investigação. De outro, o ex-secretário afirma que está sendo responsabilizado por problemas estruturais e financeiros que já existiriam antes das acusações.
Abilio, entretanto, reforçou que a decisão de denunciar os fatos não foi tomada com base em divergências políticas, mas em informações produzidas pelos próprios mecanismos de controle da administração municipal. Segundo ele, a prioridade da gestão é esclarecer todos os fatos e identificar eventuais responsabilidades.
Com a ampliação das investigações e a participação de diferentes instituições de controle, a expectativa agora é que as auditorias e análises técnicas determinem se houve falhas administrativas, irregularidades na aplicação dos recursos ou eventual prática de ilícitos envolvendo contratos e despesas da Secretaria Municipal de Educação.
Enquanto isso, a crise continua produzindo desdobramentos políticos e administrativos, ampliando a pressão sobre os envolvidos e transformando o caso em uma das maiores controvérsias da atual gestão municipal.
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