“Nunca tivemos conflito”, diz Pivetta sobre Mauro Mendes ao comentar ruptura entre Abílio e Vânia e defender lealdade no poder, VEJA O VÍDEO

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JB News por Nayara Cristina A política de Mato Grosso, especialmente em Cuiabá, foi sacudida nesta segunda-feira (2) por uma forte repercussão nos bastidores após a confirmação da ruptura política entre o prefeito Abílio Brunini e a vice-prefeita Vânia Rosa. A crise ganhou contornos ainda mais sensíveis diante da decisão de Vânia de deixar o Partido Novo, legenda pela qual foi eleita em 2024 ao lado de Abílio, para se filiar ao MDB, partido historicamente adversário do atual prefeito da capital. A mudança de rota da vice-prefeita foi interpretada por aliados de Abílio como uma quebra direta do pacto político firmado durante a campanha municipal. À época, a chapa representava um discurso de renovação, alinhado à proposta do Novo de romper com práticas tradicionais da política cuiabana. Vânia Rosa era, inclusive, o único nome do partido com mandato eletivo no município, o que reforçava seu simbolismo dentro do projeto vencedor das eleições de 2024. A filiação ao MDB, sigla que esteve no campo oposto da disputa e que abriga figuras com as quais Abílio mantém embates históricos, como o ex-prefeito Emanuel Pinheiro e o deputado federal Emanuelzinho, foi encarada como um gesto de confronto aberto e acirrou ainda mais o clima político na capital. A repercussão do episódio extrapolou os limites do Palácio Alencastro e chegou à esfera estadual. Durante evento na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o vice-governador Otaviano Pivetta foi questionado sobre o rompimento e aproveitou para fazer uma defesa enfática do papel institucional de um vice. Em sua fala, Pivetta adotou um tom didático e crítico, ressaltando que a falta de sintonia entre titular e vice sempre traz prejuízos à gestão pública. “O governo é uma organização. O governador é o líder dessa organização. Quanto mais harmonia tiver, mais resultado, mais fácil é superar os obstáculos, porque problema tem todo dia. Esse descompasso, essa falta de sintonia entre o eleito e o vice nunca é bom. Nunca é bom. Já existe aí um prejuízo. É lamentável”, afirmou. Para ele, o maior risco desse tipo de ruptura é que a sociedade acabe pagando a conta de disputas políticas que deveriam ficar em segundo plano após o resultado das urnas. Pivetta foi além ao destacar que a lealdade é um valor indispensável para quem ocupa a posição de vice, seja em governos municipais ou estaduais. Segundo ele, cumprir o mandato significa honrar os compromissos assumidos em campanha, tanto nos momentos favoráveis quanto nas fases mais difíceis da gestão. “Cumprir o mandato é ser leal na hora ruim e na hora boa. É chorar junto e vibrar junto quando a gente vence. Os políticos precisam ter juízo”, disse, em crítica direta ao que classificou como “vaidade pequena” de parte da classe política. Ao traçar um paralelo com sua própria trajetória, o vice-governador ressaltou a relação construída com o governador Mauro Mendes. Pivetta lembrou que, ao longo dos anos, houve inúmeros episódios de tensão provocados por terceiros, inclusive por pessoas próximas ao governo, mas que nunca permitiram que isso se transformasse em conflito público ou institucional. “Sempre tivemos a grandeza de entender que tínhamos uma missão maior, que era levar Mato Grosso adiante, fazer o Estado crescer e corresponder às expectativas da população. Isso nos norteou muito mais do que vaidades”, afirmou. Ele destacou ainda que essa postura de lealdade e diálogo garantiu uma relação harmônica não apenas com o Executivo, mas também com a Assembleia Legislativa, o Judiciário, o Tribunal de Contas e os demais poderes. “Nós entendemos que estamos numa democracia. Às vezes tem que ser firme, às vezes tem que endurecer, mas sempre procurando o diálogo e o entendimento”, completou. O reconhecimento dessa conduta, segundo Pivetta, explica o respaldo público que tem recebido de Mauro Mendes, que o classificou recentemente como um “vice de primeira linha” e sinalizou apoio à sua pré-candidatura ao governo do Estado em 2026. Nesse contexto, o vice-governador também comentou sobre as articulações para a formação da chapa majoritária. Ele confirmou que a definição do nome para vice ainda está em estágio inicial e citou o deputado federal Fábio Garcia como um quadro qualificado, preparado e com capacidade para integrar o projeto, embora tenha ressaltado que qualquer decisão só será tomada após as convenções partidárias e a consolidação das alianças. Ao comentar novamente o episódio envolvendo Abílio e Vânia, Pivetta reforçou que torce para que o impasse político não comprometa a administração de Cuiabá. “Vamos aguardar, vamos torcer para que a sociedade não seja prejudicada. Quando se perde a sintonia, perde-se eficiência. E quem sofre é a população”, concluiu, deixando claro que, em sua visão, a lealdade institucional e o compromisso com o interesse público devem sempre se sobrepor a projetos pessoais ou disputas partidárias. Veja : [playlist type="video" ids="375228"]