A resposta do ex-secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, às declarações feitas pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, elevou o tom do debate político em torno da atuação das organizações sociais (OSs) na gestão da saúde pública estadual. Em meio a um cenário de tensão e questionamentos sobre contratos e processos licitatórios, Figueiredo saiu em defesa do modelo adotado durante sua gestão e negou qualquer tipo de favorecimento ou irregularidade.
Durante discurso na Assembleia Legislativa nesta semana, Russi afirmou que há uma “disputa de interesses” envolvendo OSs que prestam serviços ao Estado, levantando suspeitas sobre possíveis direcionamentos em processos licitatórios e dificuldades enfrentadas por parlamentares no acesso a informações dentro da Secretaria de Saúde. O deputado também mencionou indícios de editais com características restritivas, o que, segundo ele, poderia comprometer a competitividade e a transparência dos certames.
As declarações repercutiram imediatamente nos bastidores políticos e provocaram reação direta de Gilberto Figueiredo. Em sua manifestação, o ex-secretário foi enfático ao sustentar que todos os processos conduzidos durante sua gestão seguiram rigorosamente os critérios legais e técnicos exigidos pela administração pública. Ele destacou que o modelo de gestão por OSs foi adotado com base em experiências consolidadas em outros estados e que trouxe resultados concretos na ampliação e melhoria dos serviços de saúde.
Figueiredo argumentou ainda que a estruturação dos editais levou em consideração a complexidade dos serviços hospitalares e a necessidade de qualificação técnica das entidades participantes, o que pode ser interpretado, de forma equivocada, como restrição. Segundo ele, não houve qualquer tentativa de direcionamento, mas sim a busca por garantir eficiência e segurança na prestação dos serviços à população.
O ex-secretário também rebateu a ideia de falta de transparência, afirmando que todas as etapas dos processos foram devidamente publicadas e acompanhadas pelos órgãos de controle. Ele ressaltou que contratos com OSs passam por fiscalização constante, tanto interna quanto externa, incluindo tribunais de contas e o Ministério Público.
O embate entre Executivo e Legislativo evidencia um momento sensível na política estadual, especialmente em um setor estratégico como a saúde. Enquanto Russi reforça a necessidade de maior rigor e fiscalização sobre as organizações sociais, Figueiredo sustenta que o modelo não apenas é legal, como também essencial para garantir agilidade na gestão hospitalar.
Nos bastidores, o tema já mobiliza outros parlamentares e deve ganhar novos capítulos nas próximas sessões da Assembleia. A possibilidade de abertura de investigações mais aprofundadas não está descartada, o que pode ampliar ainda mais o alcance político e institucional da discussão.
A controvérsia expõe não apenas divergências sobre a condução da política pública de saúde, mas também a disputa por protagonismo e controle sobre um dos maiores orçamentos do Estado. Enquanto isso, a população acompanha o debate à espera de respostas concretas sobre a qualidade e a transparência dos serviços prestados.
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