A operação é um desdobramento da primeira fase, deflagrada em 26 de agosto de 2025, um dia após o assassinato de Marcos José Vieira Lima, conhecido como “Borel”, ocorrido em 25 de agosto do ano passado. Segundo as investigações, Borel foi submetido a um “salve” — espécie de punição imposta por facção criminosa — que envolveu tortura e julgamento em um chamado “Tribunal do Crime”. A morte teria sido decretada após uma videochamada com lideranças do grupo, sob a acusação de que ele teria traído um dos chefes locais da organização.
De acordo com a apuração policial, a vítima foi atraída até uma residência utilizada como ponto de apoio para faccionados, sob o pretexto de consumir entorpecentes. No local, após o suposto julgamento, teve a execução determinada. Posteriormente, os executores utilizaram uma motocicleta para transportar o corpo até o local onde foi ocultado. Até o momento, o cadáver não foi localizado.
As investigações se estenderam por aproximadamente seis meses após a primeira fase da operação, com aprofundamento técnico a partir de análises de aparelhos telefônicos, sucessivos deferimentos judiciais de medidas cautelares e diligências em campo. Com base em relatos de testemunhas, relatórios detalhados e outros meios de obtenção de prova, a Polícia Civil conseguiu demonstrar ao Ministério Público e ao Poder Judiciário que o homicídio ocorreu mesmo sem a localização do corpo.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Aninhas Estevam Pereira Filho, foram reunidos elementos probatórios consistentes que apontam a participação de ao menos seis pessoas na empreitada criminosa. As apurações também indicam que o mesmo grupo atuava em práticas de assistencialismo com o objetivo de fortalecer a facção na região. Entre as condutas investigadas está a distribuição de cestas básicas a pessoas em situação de vulnerabilidade social, estratégia que, conforme a polícia, seria utilizada para ampliar a base de apoio e consolidar a presença da organização criminosa no município e no Vale do Araguaia.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e localizar o corpo da vítima. Os presos permanecem à disposição da Justiça e devem passar por audiência de custódia nos próximos dias.