Max Russi destaca que apenas quatro partidos devem eleger deputados federais, aposta em seis estaduais pelo Podemos e que “chapa dos sonhos” de Mauro Mendes ainda depende das convenções,VEJA O VÍDEO
JB News
por Jota de Sá
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi, afirmou que o ano legislativo de 2026 será marcado por desafios inéditos em razão da coincidência entre o calendário parlamentar e o processo eleitoral, mas deixou claro que, mesmo diante das restrições legais impostas pelo período, a política continua sendo exercida de forma plena. As declarações foram feitas nesta segunda-feira (2), durante a solenidade de abertura oficial dos trabalhos legislativos, que reuniu autoridades de todos os Poderes, entre elas o governador Mauro Mendes, o vice-governador Otaviano Piveta, representantes do Tribunal de Justiça, do Ministério Público, da Defensoria Pública e lideranças políticas de diversas regiões do Estado.
Em entrevista coletiva, Max Russi ressaltou que, embora o Legislativo enfrente limitações administrativas típicas de um ano eleitoral, isso não impede o debate político, o diálogo institucional nem a construção de projetos para o futuro de Mato Grosso. Segundo ele, 2026 exige ainda mais maturidade e responsabilidade dos agentes públicos. “É um ano diferenciado, com regras próprias, mas não deixa de ser um ano de construção política. O diálogo é a alma que alimenta a política. Conversar, dialogar e construir pontes é fundamental”, afirmou.
Ao comentar o cenário eleitoral, o presidente da Assembleia analisou a composição antecipada anunciada pelo governador Mauro Mendes para a disputa de 2026, que teria o vice-governador Otaviano Piveta como candidato ao Governo, Fábio Garcia como vice e o próprio Mauro Mendes como candidato ao Senado, com Cidinho Santos como primeiro suplente. Max Russi classificou a formação como “uma chapa dos sonhos” do atual governador, mas ponderou que, no jogo político, sonhos só se materializam após o crivo das convenções partidárias. “É natural que o governador sonhe com uma chapa. Todo líder sonha com um projeto. Mas a política tem níveis de debate, e tudo isso só se concretiza nas convenções. Elas é que vão falar por si e definir os rumos dos grupos políticos”, destacou.
O deputado também alertou que o cenário ainda está aberto e sujeito a mudanças. Para ele, rupturas prematuras são prejudiciais e enfraquecem qualquer construção coletiva. “É ruim quando se quebra ponte. Isso inviabiliza conversa. Ainda há muito tempo, muitas agendas e muita discussão. Essa construção vai acontecer lá na frente”, disse, defendendo a ampliação do diálogo e a soma de forças como caminho para projetos eleitorais mais sólidos.
Ao falar de sua recente filiação ao Podemos, Max Russi foi direto ao estabelecer metas claras para a legenda. Segundo ele, o principal objetivo do partido em 2026 é eleger pelo menos seis deputados estaduais. “Podem anotar: o Podemos vai eleger, no mínimo, seis deputados estaduais. Todo mundo duvidou da gente na eleição passada e nós fizemos quatro. Agora, vamos crescer”, afirmou, demonstrando confiança na estrutura partidária e no trabalho municipalista que, segundo ele, sustenta sua projeção política.
O presidente da Assembleia também fez uma análise realista sobre a disputa por vagas na Câmara Federal e destacou a dificuldade do cenário. Para Max Russi, a tendência é que apenas três ou quatro partidos consigam, de fato, eleger deputados federais em Mato Grosso, em razão do alto coeficiente eleitoral e da concentração de votos. “A eleição para deputado federal não é simples. São poucas vagas, coeficiente alto e uma disputa muito dura. Não é uma conta fácil. Mas o Podemos está se preparando, estudando nomes e trabalhando para tentar eleger deputado federal”, pontuou.
Segundo ele, a montagem da chapa federal exige estratégia, equilíbrio de gênero e nomes competitivos. Max explicou que o partido trabalha com um número restrito de candidaturas, respeitando a legislação eleitoral, e destacou a necessidade de mulheres fortes na composição. “A chapa não é fácil, são poucos nomes, precisa ter mulheres competitivas, pessoas que representem e puxem voto. É um desafio grande, mas estamos construindo”, explicou.
Ao comentar o fato de seu nome ser frequentemente citado como possível candidato ao Governo do Estado, Max Russi adotou tom cauteloso e reafirmou que decisões dessa magnitude não são individuais. “Eu não tenho poder nem autoridade para decidir isso sozinho. Essas conversas passam pelo partido, pelas lideranças, pelos interesses do Estado. Tudo será construído coletivamente”, disse, reforçando que seu foco imediato é fortalecer o Podemos e ampliar sua bancada na Assembleia.
Encerrando a entrevista, o presidente da Assembleia reforçou que o crescimento de Mato Grosso impõe novas demandas e exige mais eficiência do poder público. “O Estado cresce, as demandas aumentam e nós precisamos entregar obras e serviços com qualidade. Esse é o desafio para todos nós, independentemente de eleição”, concluiu.
A abertura do ano legislativo de 2026, marcada por discursos políticos e projeções eleitorais, deixou claro que, apesar das limitações impostas pelo calendário, o debate sobre o futuro de Mato Grosso já está em curso e promete ganhar intensidade nos próximos meses, com articulações que ainda devem redesenhar o tabuleiro político estadual.
Veja :
https://youtu.be/B_qelR3FRQ4