JULGAMENTO

Júri popular de investigador da PC acusado de matar PM em conveniência de Cuiabá é suspenso e retorna nesta quarta

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Júri popular de investigador da PC acusado de matar PM em conveniência de Cuiabá é suspenso e retorna nesta quarta

JB News

Por josé Teixeira

O julgamento do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de assassinar o policial militar Thiago de Souza Ruiz, mobilizou o Fórum da Capital nesta terça-feira em um dos casos criminais de maior repercussão envolvendo integrantes das forças de segurança pública em Mato Grosso nos últimos anos. A sessão do Tribunal do Júri foi iniciada pela manhã, no Fórum de Cuiabá, e acabou suspensa no fim da tarde, devendo ser retomada nesta quarta-feira, às 9h.


O julgamento ocorre sob presidência do juiz Marcos Faleiros da Silva, titular da Quarta Vara Criminal da Capital. O réu responde por homicídio qualificado, acusado pelo Ministério Público de ter matado o policial militar por motivo fútil e mediante recurso que teria dificultado qualquer possibilidade de defesa da vítima.


O caso ganhou forte repercussão desde abril de 2023, quando o crime ocorreu em uma conveniência localizada nas proximidades da Praça 8 de Abril, uma das regiões mais movimentadas de Cuiabá. Conforme as investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, a vítima estava no local acompanhada de um amigo quando o investigador civil chegou à conveniência e passou a conversar com o policial militar.


Imagens registradas por câmeras de segurança se tornaram peças centrais da investigação. Segundo o inquérito policial, durante a conversa entre os dois agentes de segurança, Thiago Ruiz teria mostrado a arma que carregava na cintura. Em seguida, conforme sustenta a acusação, Mário Wilson pegou o revólver e efetuou os disparos que atingiram o militar. O policial morreu ainda no local antes da chegada do socorro.


A sessão desta terça-feira foi marcada pelo depoimento de testemunhas consideradas estratégicas tanto pela acusação quanto pela defesa. Entre os primeiros ouvidos pelo Conselho de Sentença esteve Walkíria Filipaldi Corrêa, ex-companheira da vítima. Também prestou depoimento o delegado André Eduardo Ribeiro, que atuava como plantonista da Delegacia de Homicídios no período em que o assassinato ocorreu.


O Ministério Público ainda arrolou como testemunha o investigador da DHPP Walfredo Raimundo Adorno Mourão Junior. Já a defesa apresentou uma série de delegados de polícia como testemunhas, entre eles Guilherme Bertoldi, André Monteiro, José Ricardo e Guilherme Facinelli. Também foi incluído na lista o investigador Gilson Vasconcelos Tibaldi de Amorim Silva.


Durante o julgamento, o Fórum de Cuiabá adotou medidas especiais de segurança e circulação em razão da grande repercussão do caso e da presença de integrantes das forças policiais. A administração da unidade restringiu o acesso de pessoas aos demais espaços internos do prédio, permitindo apenas a permanência na área destinada ao plenário do júri.


O assassinato provocou forte impacto dentro das corporações policiais de Mato Grosso, principalmente pelo fato de envolver dois agentes da segurança pública. Desde o início da investigação, o caso passou a ser acompanhado de perto tanto por representantes das forças policiais quanto por familiares da vítima e entidades ligadas à segurança pública estadual.


A expectativa é que o julgamento continue ao longo desta quarta-feira com novos depoimentos, debates entre acusação e defesa e, posteriormente, a manifestação do Conselho de Sentença, responsável por decidir se o investigador será condenado ou absolvido das acusações apresentadas pelo Ministério Público.