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Por Nayara Cristina
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso marcou para o próximo dia 7 de julho, em Cuiabá, o júri popular do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como “Bezerrinha”, filho do ex-governador e ex-senador Carlos Bezerra. Ele é acusado de matar a tiros a ex-companheira Thays Machado e o então namorado dela, Willian Cesar Moreno, crime ocorrido em janeiro de 2023 e que provocou forte repercussão política, policial e jurídica em Mato Grosso.
A sessão será realizada pela 1ª Vara Criminal da Capital e deve começar às 9h no Fórum de Cuiabá. A definição da data encerra uma longa etapa processual marcada por recursos apresentados pela defesa e manifestações do Ministério Público até a confirmação definitiva do julgamento pelo Tribunal do Júri.
O caso ganhou repercussão nacional pela violência do crime e pelo fato de envolver um integrante de uma das famílias mais tradicionais da política mato-grossense. Conforme as investigações da Polícia Civil e a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual, Carlos Alberto não aceitava o fim do relacionamento com Thays Machado e passou a monitorar a rotina da ex-companheira antes do crime.
Segundo o inquérito, na manhã do dia 18 de janeiro de 2023, Thays e Willian desembarcaram no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, após viagem ao estado de São Paulo. As investigações apontam que o empresário teria seguido o casal desde o aeroporto até Cuiabá. Horas depois, os dois foram mortos a tiros em frente ao edifício onde Thays morava, no bairro Alvorada.
De acordo com a denúncia, o crime foi cometido com recurso que dificultou a defesa das vítimas. Willian Cesar Moreno morreu ainda na calçada após ser atingido por diversos disparos. Já Thays Machado foi baleada quando tentava fugir. A acusação sustenta que o crime teve motivação passional e enquadra o assassinato dela como feminicídio.
Após o crime, Carlos Alberto Bezerra foi preso em uma propriedade rural da família no município de Campo Verde. Desde então, o processo passou por diferentes fases jurídicas, incluindo pedidos de liberdade, recursos contra a decisão de júri popular, questionamentos relacionados às qualificadoras do crime e discussões envolvendo o estado de saúde do empresário.
A defesa tentou retirar o julgamento de Cuiabá alegando repercussão social do caso e possibilidade de comprometimento da imparcialidade dos jurados, mas o pedido foi negado pela Justiça. O entendimento foi de que não havia elementos suficientes para justificar o desaforamento do processo para outra comarca.
Nos últimos meses, o Superior Tribunal de Justiça também manteve a decisão que confirmou Carlos Alberto Bezerra no Tribunal do Júri. Com isso, o processo avançou para a fase final antes do julgamento popular.
A expectativa é de que o júri mobilize grande atenção pública em Cuiabá, principalmente pelo histórico do caso, pela repercussão política e pela gravidade da acusação. A segurança no entorno do Fórum deverá ser reforçada durante a sessão, diante da possibilidade de presença de familiares, representantes de movimentos ligados ao combate à violência contra a mulher, advogados, estudantes de direito e imprensa.
O julgamento deverá reunir depoimentos, perícias, imagens e elementos investigativos produzidos ao longo dos últimos dois anos. Caberá ao Conselho de Sentença decidir se o empresário será condenado ou absolvido pelas mortes de Thays Machado e Willian Cesar Moreno.
Atualmente, Carlos Alberto Gomes Bezerra permanece preso e aguarda a realização do júri popular na capital mato-grossense.