Investimentos em asfalto e ferrovias impulsionam crescimento de 30% na indústria de MT

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  Jab News por Jora de Sá Foto arte : Emerson Teixeira-JB News   O estado de Mato Grosso vive uma nova fase de expansão industrial. Dados da Receita Federal compilados pelo Observatório de Mato Grosso e pela Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT) apontam crescimento de 30% no número de indústrias e empresas de grande porte instaladas no território mato-grossense. O avanço é atribuído, principalmente, ao pacote de investimentos em infraestrutura e logística executado nos últimos anos, que reposicionou o estado como um dos polos estratégicos de produção e exportação do país. Entre janeiro e outubro de 2025, foram abertas 2.727 novas indústrias ativas em Mato Grosso — excluindo microempreendedores individuais — consolidando um ambiente favorável para negócios de médio e grande porte. O dado reforça uma tendência de interiorização do desenvolvimento econômico, com ampliação da base produtiva ligada ao agronegócio, à agroindústria, à transformação de grãos, proteína animal, biocombustíveis, armazenagem e serviços industriais. O crescimento industrial caminha lado a lado com a expansão da infraestrutura. Desde 2019, o governo estadual asfaltou 6.189 quilômetros de rodovias, entre estradas estaduais e trechos executados por meio de convênios com municípios. O número representa recorde histórico e supera, segundo o próprio governo, a soma de pavimentações realizadas em várias gestões anteriores. Além disso, 3.732 quilômetros de rodovias foram recuperados no mesmo período, fortalecendo a malha viária que sustenta o escoamento da produção agrícola e industrial. A malha rodoviária é peça-chave para um estado que lidera a produção nacional de soja, milho, algodão e proteína bovina. Mato Grosso é responsável por aproximadamente 30% da produção brasileira de soja e figura entre os maiores produtores de milho do país, consolidando-se como o maior exportador de commodities agrícolas do Brasil. Em 2024, as exportações mato-grossenses ultrapassaram a marca de US$ 30 bilhões, com forte concentração no agronegócio, mas com crescente participação de produtos industrializados e processados. Para o secretário-adjunto de Indústria, Comércio e Incentivos Programáticos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (SEDEC), Anderson Lombardi, a infraestrutura é um dos pilares centrais dessa virada econômica. “Não adianta termos mais produção e muitas indústrias e não conseguirmos escoar toda a nossa produção, tanto industrial quanto primária”, afirmou em entrevista recente. Segundo ele, os investimentos em rodovias, ferrovias e novos corredores logísticos ampliaram a competitividade do estado e o inseriram de forma mais estratégica no mercado global. No campo ferroviário, Mato Grosso passa por uma transformação estrutural. A ferrovia estadual em construção pela empresa Rumo é considerada a maior obra ferroviária atualmente em execução no país. Na primeira fase, terá 162 quilômetros de extensão, ligando Rondonópolis a Campo Verde e Dom Aquino, com cerca de 73% das obras já executadas. A previsão é de início das operações no segundo semestre de 2026, ampliando significativamente a capacidade de escoamento de grãos e produtos industrializados. Outro projeto estruturante é a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), com 1.641 quilômetros previstos para conectar Mato Grosso e Goiás à Ferrovia Norte-Sul, criando acesso estratégico aos portos de Santos (SP) e Itaqui (MA). A integração ferroviária tende a reduzir custos logísticos, ampliar margens para exportadores e diminuir o chamado “Custo Brasil”, fator historicamente apontado como entrave à competitividade. Segundo Lombardi, a nova malha pode reduzir em 10 a 15 dias o tempo de transporte de cargas destinadas à China, especialmente com a perspectiva da rota bioceânica, que conectará o Centro-Oeste aos portos do Pacífico. A economia de tempo representa vantagem direta em mercados internacionais, onde prazos e logística determinam contratos e margens comerciais. O avanço industrial também está ligado à expansão energética e à segurança jurídica. Mato Grosso possui forte geração de energia, inclusive com usinas hidrelétricas e projetos de biomassa ligados ao setor sucroenergético. A estabilidade institucional e os incentivos fiscais estruturados pelo estado têm sido apontados como diferenciais na atração de investidores nacionais e estrangeiros. A industrialização da cadeia do agro é outro vetor decisivo. Em vez de exportar apenas grãos in natura, o estado amplia investimentos em esmagamento de soja, produção de farelo e óleo, frigoríficos, etanol de milho e algodoeiras. Esse processo agrega valor à produção primária, gera empregos industriais e amplia a arrecadação tributária. A verticalização também reduz a dependência exclusiva de commodities brutas, fortalecendo a diversificação econômica. O resultado é um cenário em que infraestrutura, produção primária e indústria passam a operar de forma integrada. A combinação de 6.189 quilômetros asfaltados, quase 4 mil quilômetros recuperados, novas ferrovias em execução e mais de 2.700 indústrias abertas em menos de um ano consolida Mato Grosso como um dos estados que mais crescem proporcionalmente no país. Para a FIEMT e o Observatório de Mato Grosso, os dados sinalizam que o estado deixou de ser apenas um gigante agrícola para assumir papel crescente como polo industrial ligado ao agronegócio e à exportação. O crescimento de 30% no número de indústrias reforça a percepção de que logística eficiente, segurança institucional e estratégia internacional são hoje os motores da nova fase econômica mato-grossense. Com a consolidação das obras ferroviárias previstas até 2026 e a continuidade do investimento em infraestrutura rodoviária, o estado tende a ampliar ainda mais sua competitividade global. O desafio, segundo analistas do setor produtivo, será sustentar o ritmo de crescimento com inovação tecnológica, qualificação de mão de obra e manutenção da capacidade logística, garantindo que o avanço industrial acompanhe o protagonismo já consolidado do agro no cenário nacional e internacional.