TRIBUNAL DO JÚRI

Investigador é condenado a dois anos em regime aberto pela morte de PM após dois dias de júri em Cuiabá

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Investigador é condenado a dois anos em regime aberto pela morte de PM após dois dias de júri em Cuiabá

JB News

Por Emerson Teixeira

A condenação do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves pelo assassinato do policial militar Thiago de Souza Ruiz encerrou um dos julgamentos mais acompanhados dos últimos anos em Mato Grosso. Após três dias de intensos debates no Fórum de Cuiabá, o Tribunal do Júri decidiu desclassificar o crime de homicídio doloso para homicídio culposo, entendimento que afastou a tese de intenção de matar sustentada pelo Ministério Público.


A sentença foi anunciada na noite desta quinta-feira (14), depois de uma longa sessão conduzida pelo juiz Marcos Faleiros da Silva. O policial civil acabou condenado a dois anos de prisão em regime aberto. Durante o julgamento, a acusação foi conduzida pelo promotor Vinícius Gahyva Martins, enquanto a defesa ficou sob responsabilidade do advogado Cláudio Dalledone, que trabalhou na tese de ausência de intenção homicida.


O caso ocorreu na madrugada de 28 de abril de 2023, em uma conveniência de posto de combustível nas proximidades da Praça 8 de Abril, em Cuiabá. Segundo as investigações, Thiago Ruiz estava no local acompanhado de amigos quando encontrou Mário Wilson. Imagens das câmeras de segurança mostraram os dois conversando momentos antes do crime. Conforme o inquérito policial, em determinado instante o PM exibiu a arma que carregava na cintura. Na sequência, o investigador se apoderou do revólver e efetuou os disparos que atingiram Thiago, que morreu ainda no local.  


O julgamento começou ainda na terça-feira (12) e mobilizou familiares, integrantes das forças de segurança e representantes do Judiciário. Ao longo dos três dias, diversas testemunhas foram ouvidas, entre elas a ex-companheira da vítima, delegados da Polícia Civil e policiais que estavam presentes na cena do crime ou participaram das investigações. A defesa também apresentou vídeos e tentou enfraquecer pontos considerados centrais da acusação.  


A tese defendida pelo Ministério Público apontava que o investigador teria cometido homicídio qualificado, com agravantes de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Já a defesa sustentou que houve uma situação sem intenção deliberada de matar, argumento que acabou acolhido pelos jurados ao desclassificarem o crime para homicídio culposo.  


A decisão provocou forte repercussão nos bastidores da segurança pública de Mato Grosso. Desde a morte de Thiago Ruiz, o caso vinha sendo tratado como um dos episódios mais delicados envolvendo integrantes das forças policiais do estado. O julgamento também ganhou grande atenção por reunir versões conflitantes sobre o que teria acontecido segundos antes dos disparos.


Mesmo condenado, Mário Wilson cumprirá a pena em regime aberto. A sentença ainda pode ser alvo de recursos por parte do Ministério Público e da defesa.