Confissão macabra expõe tragédia em Várzea Grande e coloca feminicídio no centro do debate em Mato Grosso
JB News
Por Emerson Teixeira
Menos de 24 horas após a inauguração da nova Delegacia de Defesa da Mulher e Vulneráveis 24 Horas de Várzea Grande, um crime brutal reacendeu o alerta sobre a escalada da violência contra mulheres em Mato Grosso. A madrugada desta quinta-feira (7) foi marcada pela confissão fria de um homem de 67 anos, identificado como Francisco Carlos, que procurou espontaneamente a unidade policial recém-inaugurada para admitir que havia assassinado a própria esposa, Elzilene Alves do Nascimento, de 49 anos.

O caso, tratado como feminicídio, mergulhou familiares e moradores de Várzea Grande em estado de choque. Segundo a Polícia Civil, o suspeito relatou ao delegado Rogério Gomes que matou a companheira ainda na terça-feira (5), motivado por uma suposta traição. Conforme o depoimento, Elzilene foi atingida por dez golpes de faca em uma área de mata entre Os bairros bairro Santa Isabel e Marajoara. Após o assassinato, o homem arrastou o corpo por cerca de dez metros e tentou esconder o cadáver em um pequeno córrego da região, numa tentativa de dificultar a descoberta do crime.

A crueldade não terminou ali. Horas depois do assassinato, pressionado pelos filhos da vítima, que já desconfiavam de sua versão, o suspeito compareceu à delegacia para registrar um boletim de ocorrência de desaparecimento da esposa, tentando criar uma falsa narrativa para despistar a investigação. No entanto, durante a madrugada desta quinta-feira, ele retornou à Delegacia da Mulher e decidiu confessar o crime, revelando também o local onde havia ocultado o corpo.

Equipes da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foram mobilizadas imediatamente e localizaram o corpo da vítima nas primeiras horas da manhã. O suspeito foi preso em flagrante e deve responder por feminicídio e ocultação de cadáver.

O assassinato de Elzilene ocorre em um momento delicado para Mato Grosso, estado que segue entre os mais violentos do país quando o assunto é violência de gênero. Dados da Polícia Civil apontam que Mato Grosso registrou 53 feminicídios em 2025, número superior ao de 2024, quando foram contabilizados 47 casos. O aumento reforça o cenário alarmante vivido no estado, onde grande parte das mortes ocorre dentro do ambiente familiar e é motivada por ciúmes, possessividade ou inconformismo com o relacionamento.
Levantamentos da Segurança Pública mostram ainda que a maioria das vítimas não possuía medida protetiva ativa no momento do crime, evidenciando um ciclo silencioso de violência doméstica que muitas vezes termina em tragédia. Especialistas alertam que ameaças, controle excessivo, agressões verbais, perseguições e violência psicológica costumam anteceder os assassinatos.
Em Mato Grosso, mulheres vítimas de violência podem buscar ajuda pelo telefone 180, canal nacional de denúncia e orientação que funciona 24 horas por dia. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. Em Cuiabá e Várzea Grande, a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher também mantém atendimento permanente para acolhimento, registro de ocorrências e solicitação de medidas protetivas. O Ministério Público, a Defensoria Pública e centros de referência de assistência social também integram a rede de apoio às vítimas.

O feminicídio de Elzilene transforma a recém-inaugurada Delegacia da Mulher de Várzea Grande no palco do primeiro grande caso de violência extrema registrado pela unidade. Mais do que um crime isolado, a morte brutal da vítima escancara a urgência de fortalecer políticas públicas de proteção e ampliar mecanismos de prevenção para impedir que novas mulheres sejam assassinadas dentro de suas próprias relações afetivas.