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Por Nayara Cristina
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, esteve na manhã desta quinta-feira na DECCOR para formalizar uma denúncia envolvendo um decreto orçamentário que, segundo ela, teria sido inserido no sistema da prefeitura sem autorização do Poder Executivo. A denúncia amplia ainda mais a crise política instalada entre o Executivo e a Câmara Municipal de Várzea Grande após a disputa em torno da eleição da Mesa Diretora da Casa.
Ao deixar a delegacia, a prefeita falou com a imprensa e detalhou os motivos que a levaram a procurar a Polícia Civil. Segundo Flávia Moretti, o decreto investigado não teria qualquer tramitação oficial dentro da estrutura administrativa da prefeitura e também não possuiria assinatura autorizada do Executivo. A gestora afirmou que considera grave a existência do documento no sistema interno do município e declarou que o caso precisa ser investigado para identificar quem realizou a inserção e qual teria sido a finalidade do procedimento.
Durante a declaração, Flávia explicou que o decreto estaria relacionado a movimentações orçamentárias e suplementações financeiras envolvendo valores discutidos recentemente dentro da Câmara Municipal. Ela citou especificamente a quantia de R$ 15 mil mencionada durante debates políticos e reforçou que qualquer alteração orçamentária precisa obrigatoriamente passar por planejamento técnico e autorização da prefeita.
Segundo a chefe do Executivo, o município trabalha atualmente com limitações orçamentárias e utiliza o percentual permitido dentro da Lei Orçamentária Anual para remanejamentos financeiros. Ela afirmou que toda suplementação exige análise prévia da equipe econômica, estudo de impacto e planejamento administrativo. De acordo com a prefeita, o decreto investigado não passou por nenhum desses procedimentos.
Flávia Moretti declarou ainda que o documento apontado como suspeito teria utilizado dotações orçamentárias semelhantes às que apareceram em um pedido relacionado à reforma da Câmara Municipal. Entre os itens mencionados pela prefeita estariam despesas ligadas a reformas estruturais, fachada e adequações programáticas do Legislativo municipal.
Na fala à imprensa, a prefeita afirmou que dias antes o presidente da Câmara teria citado para ela um levantamento relacionado a aproximadamente R$ 285 mil envolvendo as mesmas dotações orçamentárias que apareceriam no decreto agora questionado. A coincidência entre os elementos levantou suspeitas dentro da administração municipal e motivou o encaminhamento do caso à Polícia Civil.
Outro ponto destacado por Flávia foi o funcionamento do sistema interno da prefeitura responsável pelos lançamentos orçamentários, empenhos e pagamentos públicos. Segundo ela, o Executivo consegue visualizar diversas etapas do sistema financeiro, mas existem limitações operacionais que impediriam determinados tipos de intervenção sem autorização formal. A prefeita afirmou que será necessário identificar como ocorreu a inserção do documento dentro da plataforma administrativa.
A gestora também declarou que a prefeitura já adotou providências administrativas para anular o documento. Segundo ela, o Executivo publicou a nulidade do decreto apontado como irregular. Flávia citou que o ato oficial do município seria o Decreto nº 34 de 2026, enquanto o documento questionado apareceria registrado como Decreto nº 22 de 2026.
Durante a entrevista, a prefeita reforçou que decretos relacionados à adaptação orçamentária do Executivo precisam obrigatoriamente partir da própria prefeitura, uma vez que o orçamento municipal pertence ao Poder Executivo dentro da Lei Orçamentária Anual. Ela afirmou que não existe qualquer processo administrativo interno referente ao decreto investigado e declarou de forma categórica que o documento “não saiu do município”.
A denúncia agora deverá ser analisada pela Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da DECCOR, especializada em investigações de corrupção e irregularidades envolvendo recursos públicos e administração pública. A expectativa é que os investigadores realizem perícia nos sistemas internos da prefeitura, rastreamento de acessos e análise documental para verificar se houve fraude, falsificação, inserção indevida de informações públicas ou possível tentativa de manipulação orçamentária.
O episódio aumenta ainda mais a tensão política entre o Executivo e o Legislativo de Várzea Grande, justamente em meio ao cenário de disputas internas pela condução da Câmara Municipal e pelas articulações envolvendo a futura composição da Mesa Diretora.
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