Além da droga, foram apreendidas 11 cestas básicas e nove fardos de produtos de limpeza. Segundo as informações levantadas durante a operação, esses itens estariam vinculados a uma facção criminosa e fariam parte de uma estratégia de aproximação com moradores da região.
A Polícia Civil aponta que esse tipo de atuação tem sido cada vez mais comum: organizações criminosas utilizam doações de alimentos e itens essenciais como forma de criar uma relação de dependência e proteção dentro das comunidades. Ao oferecer suporte material em locais marcados por carência, esses grupos buscam reduzir a resistência da população, dificultar denúncias e, em muitos casos, construir uma imagem distorcida de legitimidade social.
Na prática, esse modelo funciona como uma ferramenta de expansão territorial e fortalecimento do crime organizado. Parte dos recursos obtidos com o tráfico é revertida em ações assistenciais pontuais, criando um ciclo onde a própria comunidade, muitas vezes sem alternativas, acaba inserida em uma dinâmica que favorece a manutenção das atividades ilícitas.
Todo o material apreendido foi encaminhado à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para análise. Um Auto de Investigação Preliminar (AIP) foi instaurado para aprofundar as apurações e identificar os responsáveis, além de possíveis conexões com organizações criminosas de maior alcance, como o Comando Vermelho.
Responsável pela condução da operação, o delegado Marcelo Miranda Muniz destacou que a atuação policial também busca impedir o uso desses recursos como instrumento de cooptação social. Por determinação dele, as cestas básicas e os produtos de limpeza foram imediatamente destinados à Mitra Arquidiocesana de Cuiabá, por meio da Paróquia Cristo Rei e da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), entidades reconhecidas pelo trabalho assistencial junto a famílias em situação de vulnerabilidade.
Segundo o delegado, a medida garante que os itens apreendidos tenham uma destinação legal e efetivamente social, rompendo o ciclo de utilização desses bens por organizações criminosas para fins de influência e controle comunitário.
A investigação segue em andamento e deve avançar na identificação dos envolvidos e na análise da estrutura utilizada pelo grupo na região.