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Por Nayara Cristina
A nova tentativa do Governo de Mato Grosso de destravar a obra considerada uma das mais complexas da história recente da infraestrutura estadual terminou sem empresa habilitada para assumir a construção do túnel no Portão do Inferno, trecho crítico da MT-251, rodovia Emanuel Pinheiro, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães. O fracasso da licitação reacendeu dúvidas sobre os prazos da intervenção e aumentou a preocupação de moradores, empresários do turismo e motoristas que convivem há anos com interdições, riscos geológicos e prejuízos econômicos provocados pela situação da rodovia.
Ao comentar o resultado do processo licitatório, o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, afirmou que houve participação de uma empresa considerada tecnicamente qualificada, mas que ela acabou desclassificada por não atender exigências fiscais mínimas previstas no edital.
Segundo ele, o governo já iniciou uma nova reavaliação do projeto antes do relançamento da concorrência pública. Marcelo admitiu que a construção do túnel exige um grau elevado de especialização técnica e reconheceu que o Estado não possui experiência consolidada nesse tipo de obra.
“Eu nunca fiz túnel, então nós não temos aqui em Cuiabá expertise em túneis. Não custa nada a gente ser humilde e falar a verdade”, declarou o secretário ao explicar a necessidade de novos estudos e detalhamentos técnicos para garantir segurança e viabilidade à obra.
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística trabalha atualmente com um projeto básico, enquanto o futuro vencedor da licitação terá a missão de desenvolver o projeto executivo definitivo da intervenção. Apesar disso, Marcelo de Oliveira afirmou que não haverá mudanças profundas no conceito da obra, apenas ajustes pontuais no detalhamento técnico.
A construção do túnel passou a ser tratada como solução definitiva após o fracasso parcial da obra de retaludamento iniciada pelo governo estadual na encosta do Portão do Inferno. A intervenção original previa cortes e remodelação do paredão rochoso para conter deslizamentos e garantir segurança no tráfego. Entretanto, durante o avanço das obras, estudos geotécnicos mais aprofundados apontaram dificuldades estruturais e ambientais que colocaram em xeque a viabilidade da proposta inicial.
A região do Portão do Inferno está inserida em área ambientalmente sensível próxima ao Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, o que tornou o licenciamento uma das etapas mais delicadas do processo. Órgãos ambientais como o Ibama e o ICMBio passaram a exigir revisões técnicas, medidas de mitigação ambiental e novos estudos após o avanço das escavações e das análises geológicas.
O próprio governo reconheceu que as obras iniciais encontraram obstáculos inesperados relacionados às características da rocha, estabilidade da encosta e impacto ambiental. A partir disso, a construção do túnel passou a ser considerada a alternativa menos agressiva ao meio ambiente e mais segura para manter o fluxo contínuo na MT-251.
O problema, porém, é que a mudança de estratégia elevou a complexidade técnica e financeira do empreendimento. A estimativa mais recente do Estado aponta custo superior a R$ 54 milhões apenas para a construção do túnel, sem contar possíveis aditivos e despesas complementares.
Além dos entraves técnicos, a obra também passou a ser alvo de críticas políticas e cobranças da população. Isso porque milhões de reais já foram investidos na antiga solução de retaludamento, que acabou parcialmente descartada após os novos estudos. Dados divulgados anteriormente pela própria Sinfra apontam que cerca de R$ 10 milhões já haviam sido aplicados nas intervenções iniciais da encosta.
Enquanto a definição não acontece, o trecho segue convivendo com bloqueios parciais, sistema de comboio em determinados períodos e insegurança para motoristas, turistas e moradores que dependem diariamente da rodovia para acessar Chapada dos Guimarães e municípios vizinhos. Empresários do setor turístico reclamam que a instabilidade da estrada afeta diretamente o fluxo de visitantes, especialmente em feriados e períodos de alta temporada.
Agora, a expectativa do governo é corrigir eventuais pontos do edital e republicar a licitação nos próximos meses. A gestão estadual aposta que, com ajustes técnicos e maior detalhamento executivo, empresas especializadas possam disputar a obra que se transformou em um dos maiores desafios de engenharia da atual administração.
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