CAOS E CRISE

Crise no Condomínio Chapada dos Buritis expõe disputa por gestão, cobrança de R$ 653 mil e alerta de caos financeiro e de serviços

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Crise no Condomínio Chapada dos Buritis expõe disputa por gestão, cobrança de R$ 653 mil e alerta de caos financeiro e de serviços

JB News

Por Nayara Cristina

A disputa pela administração do Condomínio Parque Chapada dos Buritis, em Várzea Grande, ganhou novos capítulos e passou a envolver não apenas a briga judicial sobre a legitimidade da atual gestão, mas também uma série de cobranças contratuais, notificações internas e alertas do Conselho Fiscal sobre possível impacto financeiro aos moradores.


A crise, que começou com questionamentos sobre a destituição do antigo síndico e a validade da assembleia que colocou Selma Guimarães Souza no comando do condomínio, agora se aprofunda com a rescisão imediata de contratos mantidos com empresas do grupo Planserv, responsáveis por serviços administrativos, terceirizados e operacionais.


Em notificações encaminhadas ao condomínio, as empresas afirmam que foram comunicadas, no dia 18 de maio de 2026, sobre a descontinuidade imediata dos serviços. A Planserv Administração Ltda sustenta que havia contrato vigente até julho de 2027 e cobra multa de R$ 8.736,00, além do ressarcimento de R$ 9.407,23 referentes a uma nota fiscal da empresa Porter, que teria sido paga pela administradora em janeiro deste ano diante da alegada falta de fluxo de caixa do condomínio.


Em outra notificação, a Planserv Assessoria e Serviços Prediais Ltda ME e a Planserv Terceirização Ltda apontam que o contrato de prestação de serviços havia sido renovado em assembleia até abril de 2027. As empresas cobram R$ 634.719,10, valor que inclui multa contratual, aviso prévio indenizado, reflexos rescisórios de trabalhadores, bonificação concedida, folha de serviços de abril, dias trabalhados em maio, encargos tributários e saldo de nota fiscal vencida.


Além das cobranças formais, a situação financeira do condomínio passou a preocupar ainda mais integrantes do Conselho Fiscal após relatos de atrasos em pagamentos de prestadores de serviços referentes ao mês de abril. Segundo apurado, empresas e fornecedores vêm entrando em contato constantemente com membros do conselho para cobrar valores pendentes e relatar a falta de pagamento. Entre os serviços que estariam com débitos em aberto estão caminhão-pipa, a empresa Porter e também a própria Planserv, responsável por parte da administração e operação do condomínio.


A cobrança crescente de fornecedores acendeu o alerta interno para um possível desequilíbrio financeiro e eventual comprometimento da continuidade de serviços essenciais dentro do residencial. Nos bastidores, conselheiros já demonstram preocupação com a possibilidade de agravamento da crise administrativa e financeira caso os débitos continuem se acumulando.


O Conselho Fiscal notificou oficialmente a síndica e pediu explicações formais sobre a decisão de romper os contratos. No documento, o conselho afirma que tomou conhecimento da rescisão inicialmente por comentários e mensagens em grupos de WhatsApp, sem comunicação prévia, formal e documentada. Os conselheiros também pediram cópia da carta de rescisão enviada à Planserv, justificativa detalhada da medida, indicação de quem autorizou a decisão, eventual parecer jurídico, estimativa dos impactos financeiros e informações sobre contratação de nova administradora ou empresa substituta.


O Conselho Fiscal também advertiu que a ausência de transparência pode comprometer a gestão e gerar prejuízos ao caixa condominial, inclusive com risco de rateios extraordinários aos moradores. Em outra notificação anterior, datada de 8 de maio, o órgão já havia questionado a contratação de serviços jurídicos sem parecer prévio, fora da previsão orçamentária, além da falta de envio regular de informações financeiras, extratos, fluxo de caixa, balancetes e saldo bancário.


A crise administrativa ocorre em meio a uma disputa judicial sobre a própria legitimidade da mudança de comando no condomínio. Segundo relatos levados à imprensa local, moradores questionam a forma como teria sido convocada a assembleia de destituição do antigo síndico. A alegação é de que assinaturas teriam sido colhidas sob justificativa diferente, como se fossem para tratar de problemas de abastecimento de água, e não para convocar uma assembleia de troca de gestão. Também há questionamento sobre o número de assinaturas válidas e sobre a convocação dos condôminos.


O caso foi parar na 1ª Vara Cível de Várzea Grande. De um lado, moradores contrários à mudança contestam a validade da assembleia e apontam irregularidades no processo. Do outro, a nova gestão sustenta sua legitimidade e conseguiu decisão judicial para assumir a administração, com determinação de entrega de documentos contábeis e financeiros, senhas bancárias, chaves, dispositivos de segurança e demais bens do condomínio.


A situação se agravou após relatos de que prestadores de serviço teriam sido dispensados pela nova gestão, incluindo empresas ligadas à administração, portaria, vigilância e apoio operacional. A medida, segundo as notificações da Planserv, teria sido tomada sem cumprimento dos prazos de aviso prévio previstos em contrato, o que originou as cobranças milionárias.


Agora, o condomínio vive um impasse que mistura disputa política interna, questionamentos judiciais, suspeitas sobre documentos e risco de impacto direto no bolso dos moradores. Enquanto a Justiça ainda tenta conduzir uma solução para o conflito, o Conselho Fiscal cobra transparência, prestação de contas e cautela antes que qualquer acordo, pagamento ou nova obrigação financeira seja assumida pela atual administração.