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Documentos expõem repasses milionários a figuras de diferentes governos e ampliam pressão em Brasília

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Documentos expõem repasses milionários a figuras de diferentes governos e ampliam pressão em Brasília

JB News

Por José Teixeira

O caso envolvendo o Banco Master ganhou dimensão nacional após documentos da Receita Federal e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviados à CPI do Crime Organizado, apontarem pagamentos milionários realizados pela instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro a empresas, consultorias e escritórios ligados a figuras influentes da política, do mercado financeiro e do meio jurídico brasileiro.


Os repasses divulgados pela imprensa somam mais de R$ 220 milhões entre 2022 e 2025 e passaram a ser analisados por órgãos de investigação em meio às apurações sobre a crise financeira do banco, que acabou entrando em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. As investigações envolvem suspeitas de fraude contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, gestão temerária, operações sem lastro, corrupção e possível organização criminosa. Até o momento, os pagamentos citados não são tratados oficialmente como prova de crime, e os envolvidos afirmam que os valores correspondem a contratos legais de prestação de serviços, advocacia, consultoria ou comunicação institucional.


Entre os nomes citados nos documentos revelados pela imprensa aparecem o ex-presidente Michel Temer, por meio de seu escritório de advocacia, com R$ 10 milhões; o ex-ministro Guido Mantega, com R$ 14 milhões; o ex-ministro Henrique Meirelles, com valores divulgados entre R$ 8 milhões e R$ 18,5 milhões, conforme diferentes reportagens; o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski, por meio da Lewandowski Advocacia, com R$ 6,1 milhões; o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, com R$ 6,4 milhões; ACM Neto, por meio da A&M Consultoria, com R$ 5,45 milhões; Marconi Perillo, por meio da MV Projetos e Consultoria, com R$ 14,5 milhões; Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Jair Bolsonaro, com R$ 3,8 milhões; Ronaldo Bento, ex-ministro da Cidadania, com R$ 773 mil; além de empresas ligadas ao Grupo Massa, da família do apresentador Ratinho e do governador do Paraná, Ratinho Junior, que aparecem com cerca de R$ 24 milhões em repasses.


Os documentos também apontam pagamentos ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo reportagens publicadas na imprensa nacional, os valores teriam alcançado aproximadamente R$ 80 milhões entre 2024 e 2025. Também aparecem nos registros a BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora do senador Jaques Wagner, além de contratos relacionados a empresas de consultoria e comunicação vinculadas a figuras políticas e econômicas com atuação em Brasília.


A investigação também passou a citar nomes ligados ao setor financeiro e à estrutura do próprio conglomerado bancário. Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, passou a ser apontado como personagem central das investigações conduzidas pela Polícia Federal e acompanhadas pelo Supremo Tribunal Federal. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, também entrou no radar das autoridades após o avanço das apurações envolvendo operações financeiras entre o banco estatal de Brasília e o Banco Master.


A presença de nomes ligados a diferentes correntes políticas ampliou a repercussão do caso em Brasília. Os documentos mencionam pessoas associadas ao MDB, PT, União Brasil, PSD, PSDB, Progressistas e também nomes ligados ao bolsonarismo. As investigações analisam contratos firmados pelo banco com escritórios de advocacia, empresas de comunicação, consultorias econômicas e grupos empresariais que mantinham relações com diferentes núcleos de poder político e institucional.


A crise do Banco Master ganhou um novo capítulo em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado financeiro. Segundo o BC, a medida ocorreu diante do comprometimento da situação econômico-financeira das instituições ligadas ao grupo. A decisão atingiu o Banco Master S.A., o Banco Master de Investimento S.A., o Banco Letsbank S.A. e a Master Corretora de Câmbio.


A partir da liquidação, Polícia Federal, Receita Federal, Coaf, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Banco Central e Senado Federal passaram a atuar em diferentes frentes de investigação. A Associated Press informou que as apurações incluem suspeitas de fraude bilionária no sistema financeiro, bloqueio de bens, apreensão de carros de luxo, relógios, joias e obras de arte.


Outro ponto que passou a ser investigado envolve a relação entre o Banco Master e o BRB, banco estatal de Brasília. Reportagem da Reuters apontou que decisões judiciais identificaram indícios de operações consideradas irregulares envolvendo carteiras de crédito negociadas entre as instituições. Segundo a agência internacional, entre julho de 2024 e outubro de 2025 o BRB teria transferido R$ 16,7 bilhões ao Banco Master. A suspeita é de que parte das operações envolvesse ativos sem lastro ou créditos de difícil comprovação.


A Reuters também informou que o BRB anunciou auditoria externa após o avanço das investigações e o afastamento de integrantes da direção do banco. O caso passou a ser acompanhado pelo Senado Federal, especialmente pela Comissão de Assuntos Econômicos, que realizou audiências públicas para discutir falhas de fiscalização, auditoria e supervisão bancária relacionadas ao sistema financeiro.


Durante uma dessas audiências, o presidente interino da CVM, João Carlos Uzeda Accioly, afirmou que a autarquia identificou movimentações atípicas relacionadas ao Banco Master desde 2022, mas alegou limitações operacionais e orçamentárias para aprofundar as investigações naquele momento.


A CPI do Crime Organizado também passou a solicitar relatórios financeiros, movimentações bancárias, dados societários, operações fiscais e informações relacionadas ao conglomerado financeiro. Documentos oficiais mostram pedidos de compartilhamento de Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Coaf, além de envio de informações da Receita Federal para análise dos parlamentares.


As apurações incluem cruzamento de contratos, notas fiscais, movimentações financeiras, transferências bancárias, registros societários, agendas de reuniões, operações estruturadas, fundos de investimento, compra de ativos, dados fiscais e materiais apreendidos durante operações da Polícia Federal. As autoridades também analisam aparelhos eletrônicos recolhidos em mandados de busca e apreensão autorizados judicialmente.


Em maio de 2026, a investigação ganhou novo impacto político após a Polícia Federal cumprir mandado de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro. Segundo a Reuters, a medida foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. A defesa do senador negou irregularidades.


As investigações conduzidas pela Polícia Federal, Receita Federal, Coaf, Banco Central, CVM e Senado Federal seguem em andamento e envolvem análise de contratos, movimentações financeiras, relatórios fiscais, dados societários e documentos apreendidos durante as operações. Até o momento, não há condenações definitivas relacionadas aos pagamentos divulgados nos documentos enviados à CPI do Crime Organizado.