CRM cobra prefeitura identificação de médica e formalização de denúncia após acusação de venda de Mounjaro em unidades de saúde de Cuiabá

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JB News Por Nayara Cristina Uma denúncia feita de forma inesperada e em plena coletiva de imprensa do prefeito Abílio Brunini, na manhã desta segunda-feira (23), em Cuiabá, provocou forte repercussão nos bastidores da saúde pública municipal e abriu uma frente de investigação que agora envolve também o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT). A confusão começou quando a moradora Viviane Siqueira Santana interrompeu o evento oficial para relatar diretamente ao prefeito que, durante atendimento em uma unidade de saúde, teria sido abordada por uma médica com a oferta de compra do medicamento Mounjaro, remédio indicado para tratamento de diabetes, mas que ganhou popularidade pelo uso voltado ao emagrecimento. A denúncia, feita de forma pública e diante da imprensa, gerou constrangimento imediato e acendeu o alerta sobre possível prática irregular dentro da rede pública. Diante da gravidade da acusação, Abílio Brunini afirmou que determinaria a abertura de um procedimento administrativo para apurar os fatos e garantiu que a Polícia Civil será acionada para investigar o caso. O prefeito também orientou a denunciante a formalizar a reclamação pelos canais oficiais do município, mas a resposta da moradora — de que a ouvidoria não estaria funcionando — aumentou a pressão e ampliou o alcance da crise. Com a repercussão, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso se manifestou oficialmente por meio de nota de esclarecimento. O CRM-MT informou que tomou conhecimento do caso pela divulgação pública feita nesta segunda-feira, mas destacou que não recebeu, até o momento, qualquer denúncia formal em seus canais institucionais. Ainda assim, diante da gravidade dos fatos narrados — embora baseados, por ora, em relato unilateral — o órgão anunciou que irá oficiar a Prefeitura de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Saúde para obter informações detalhadas sobre o episódio. O Conselho também foi enfático ao solicitar a identificação da médica citada pela paciente, condição considerada essencial para qualquer tipo de apuração formal. Segundo o CRM, é necessário saber se já há procedimento administrativo instaurado e quais elementos concretos sustentam a denúncia. Na nota, o órgão reforça que situações dessa natureza exigem investigação criteriosa, com respeito ao devido processo legal e ao direito à ampla defesa, evitando conclusões precipitadas. O CRM-MT reiterou ainda seu compromisso com a ética médica e afirmou que, caso sejam apresentados indícios consistentes de infração ao Código de Ética Médica, as medidas cabíveis serão adotadas. O caso, que começou como uma denúncia isolada em meio a uma coletiva, rapidamente ganhou dimensão institucional e expôs fragilidades tanto nos mecanismos de controle quanto nos canais de escuta da população. Agora, com a entrada do CRM e o anúncio de investigação policial, o episódio caminha para um desdobramento mais rigoroso, que pode ter implicações administrativas, éticas e até criminais, dependendo do que vier à tona nas apurações.