Condenados por feminicídio brutal, assassinos de Raquel Catani recebem penas máximas em Nova Mutum

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JB News por Nayara Cristina Foto: Divulgação O Tribunal do Júri da comarca de Nova Mutum concluiu, nesta sexta-feira (23), o julgamento de Romero Xavier Mingardi e Rodrigo Xavier Mingardi, réus pelo assassinato da produtora rural Raquel Catani, filha do deputado estadual Gilberto Catani. O crime, ocorrido em junho de 2024, chocou Mato Grosso pela extrema violência empregada: a vítima foi brutalmente agredida e esfaqueada até a morte dentro de sua própria residência, na zona rural do município. Após horas de debates em plenário, os jurados reconheceram a prática do crime de homicídio qualificado, acolhendo todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público. Além do feminicídio, o Conselho de Sentença considerou que o assassinato foi cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Diante desse conjunto de agravantes, as penas aplicadas alcançaram o limite máximo permitido pela legislação penal brasileira. A sessão do júri foi presidida pela juíza Ana Helena Alves Parcel Roncaski, responsável pela dosimetria das penas ao final do julgamento. Rodrigo Xavier Mingardi foi condenado a 33 anos, três meses e 20 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, pelos crimes de feminicídio e furto. Já Romero Xavier Mingardi, ex-marido de Raquel e apontado como o mentor do crime, recebeu 30 anos de prisão, também em regime fechado, exclusivamente pelo feminicídio. Segundo a acusação, o assassinato foi friamente planejado por Romero, que teria articulado a execução com o irmão, Rodrigo, mediante promessa de pagamento. A dinâmica criminosa, conforme sustentado em plenário, evidenciou a premeditação e a crueldade do ato, circunstâncias que pesaram decisivamente na convicção dos jurados e na fixação das penas máximas. Após a leitura da sentença, o deputado Gilberto Catani externou publicamente seu sentimento. Em declaração emocionada, afirmou que fica a sensação de que, agora, os autores “pagarão um pouco pelo que fizeram”. Segundo ele, o que mais conforta não é ver os réus condenados, mas sim a efetivação da Justiça. Catani também fez questão de enaltecer o trabalho de todos os envolvidos no julgamento, destacando a atuação da magistrada, do Ministério Público, da defesa e dos demais membros que participaram do júri, a quem classificou como “espetaculares em suas funções”. Raquel Catani foi assassinada a facadas em 18 de junho de 2024, em sua casa, localizada na zona rural de Nova Mutum. O caso mobilizou forças de segurança desde as primeiras horas após a descoberta do crime. O delegado Guilherme Pompeu Pimenta Negri, responsável pela condução das investigações, afirmou que, assim que a Polícia Civil tomou conhecimento da suspeita de feminicídio, equipes foram imediatamente mobilizadas para apurar os fatos, colher provas e identificar os responsáveis. Com o encerramento do julgamento, os dois réus permanecem presos, condição que já se mantinha desde as prisões preventivas decretadas no curso da investigação. A condenação põe fim a um dos casos criminais mais emblemáticos do estado nos últimos anos e reforça a resposta do Judiciário aos crimes de feminicídio, especialmente aqueles marcados por extrema violência e premeditação.