JB News
por Nayara Cristina
O União Brasil em Mato Grosso atravessa um dos momentos mais delicados desde sua formação, com disputas internas, especulações sobre debandadas e dificuldades na construção de chapas proporcionais para as eleições de 2026. O cenário de indefinição ganhou força diante do embate entre o governador Mauro Mendes e o senador Jaime Campos, que protagonizam um racha silencioso em torno da sucessão estadual.
De um lado, Mauro Mendes tem sinalizado preferência pelo nome do vice-governador Otaviano Pivetta como candidato ao governo. Do outro, Jaime Campos já deixou claro que pretende disputar o Palácio Paiaguás pelo próprio União Brasil. A divergência tem gerado desgaste interno e dificultado a articulação política, especialmente na montagem de chapas competitivas para deputado estadual e federal.
O clima de instabilidade se intensificou com declarações de lideranças importantes. O deputado Dilmar Dal Bosco já admitiu publicamente a possibilidade de deixar o partido, após receber convites de outras siglas, entre elas o PRD, movimento que acendeu um alerta dentro da legenda sobre um possível esvaziamento.
Outro nome de peso, o deputado Eduardo Botelho, também entrou no radar das especulações após confirmar que recebeu convite para se filiar ao MDB, partido ligado à deputada Janaína Riva. Apesar disso, Botelho tratou de esfriar os rumores e adotou um discurso de permanência e unidade.
Segundo ele, as conversas estão sendo conduzidas internamente e não há, de sua parte, qualquer intenção de deixar o União Brasil neste momento. O parlamentar criticou, inclusive, o comportamento de filiados que alimentam especulações sobre mudanças partidárias enquanto ainda integram a sigla.
Botelho afirmou que tem dialogado com diversas lideranças, incluindo o próprio governador, parlamentares e articuladores políticos, e garantiu que o sentimento predominante é de permanência. Ele também reforçou que nomes como Dilmar Dal Bosco e a vereadora Michele seguem no partido, afastando rumores de saída e tentando conter o clima de instabilidade interna.
“Tenho criticado quem fica colocando nome em outros partidos. Eu estou conversando dentro do União Brasil. Não aventei sair”, destacou.
O deputado também revelou articulações em andamento para fortalecer a chapa proporcional, afirmando que o partido trabalha para eleger até quatro deputados estaduais. Ele citou conversas com lideranças e a construção de candidaturas estratégicas, com potencial de ampliar a votação da sigla.
Apesar do cenário turbulento, Botelho minimizou as especulações e classificou parte das informações como fruto do momento político. Para ele, o período pré-eleitoral naturalmente gera rumores, disputas narrativas e movimentações que nem sempre refletem a realidade interna das siglas.
Ainda assim, nos bastidores, o União Brasil enfrenta o desafio de equilibrar interesses divergentes e evitar uma fragmentação que possa comprometer seu desempenho nas eleições. A disputa pelo comando do projeto majoritário e a pressão sobre lideranças para definir seus caminhos colocam o partido em uma encruzilhada política.
Entre a tentativa de manter a unidade e o risco de debandada, o União Brasil segue vivendo dias decisivos em Mato Grosso, onde cada movimento pode redefinir o tabuleiro eleitoral de 2026.
Veja :
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