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Por Nayara Cristina
Do local Guilherme Augusto
O incêndio que destruiu o almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande entra agora em uma nova fase. Com a conclusão do laudo pericial descartando a hipótese de incêndio criminoso e apontando que as chamas não tiveram origem em um atentado, a Prefeitura passa a concentrar esforços na responsabilização civil dos envolvidos e na recuperação dos prejuízos causados ao patrimônio público.
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti afirmou que o município aguardava justamente a conclusão da perícia para dar início às medidas jurídicas necessárias. Segundo ela, a Procuradoria-Geral do Município já acompanha o caso e trabalha para buscar o ressarcimento dos danos provocados pelo incêndio.
De acordo com a prefeita, a investigação apontou circunstâncias diferentes das verificadas em outro incêndio registrado anteriormente em um imóvel utilizado pela Secretaria Municipal de Saúde, quando a perícia concluiu que as chamas foram provocadas por um trabalhador que realizava serviço de soldagem em uma obra vizinha. No caso do almoxarifado da Educação, Flávia explicou que o funcionário envolvido não pertencia ao quadro da Prefeitura, mas sim à empresa responsável pela obra realizada ao lado do imóvel.
Segundo ela, imagens das câmeras de monitoramento entregues às autoridades ajudam a esclarecer a dinâmica dos fatos e reforçam a linha de investigação adotada pela perícia.
“A gente estava aguardando o laudo para fazer todo o processo de responsabilização quanto ao proprietário do imóvel e também em relação à obra. Meu procurador está acompanhando passo a passo para que possamos atuar nesse sentido”, afirmou a prefeita.
O imóvel atingido pelas chamas era alugado pelo município há décadas e funcionava como um dos principais centros de armazenamento da Secretaria Municipal de Educação. No local estavam concentrados materiais didáticos, livros escolares, equipamentos eletrônicos, mobiliários, computadores, aparelhos de ar-condicionado, utensílios destinados às escolas da rede municipal, além de alimentos que seriam distribuídos para a merenda escolar. Grande parte desse patrimônio foi completamente consumida pelo fogo.
Desde as primeiras horas após o incêndio, a gestão municipal adotou medidas emergenciais para garantir que o calendário escolar não fosse comprometido. A Prefeitura decretou estado de calamidade administrativa na Secretaria Municipal de Educação por 180 dias, iniciou a reorganização logística da pasta e providenciou um novo espaço para armazenamento dos materiais destinados às unidades escolares. Também entregou às autoridades todas as imagens captadas pelas câmeras de segurança instaladas no local e nas imediações para auxiliar a investigação.
Durante a entrevista, Flávia também esclareceu um ponto que gerou dúvidas desde o início das investigações. Ela explicou que o antigo depósito vinculado à Secretaria de Saúde, atingido em outro incêndio, armazenava predominantemente materiais inservíveis pertencentes a diversas secretarias municipais.
“Ali praticamente só havia materiais sem utilidade para o município. Estávamos fazendo um levantamento para separar aquilo que poderia ser leiloado, descartado ou doado. Era muito diferente da situação do almoxarifado da Educação”, destacou.
Segundo a prefeita, a realidade do barracão da Educação era completamente distinta. O espaço concentrava equipamentos e materiais essenciais ao funcionamento da rede municipal de ensino, tornando os prejuízos muito mais expressivos e afetando diretamente a estrutura administrativa da Secretaria.
Agora, com o encerramento da etapa técnica das investigações, a Prefeitura inicia a fase jurídica do caso. A administração municipal pretende buscar a responsabilização dos envolvidos, avaliar eventuais obrigações do proprietário do imóvel previstas no contrato de locação — inclusive relacionadas à cobertura securitária contra incêndio — e cobrar judicialmente o ressarcimento dos prejuízos suportados pelo município, caso sejam confirmadas responsabilidades.
Embora o laudo tenha afastado a hipótese de atentado, a destruição provocada pelo incêndio continua sendo considerada uma das maiores perdas patrimoniais já registradas na estrutura administrativa da Educação de Várzea Grande, tanto pelo volume de equipamentos e materiais consumidos quanto pelo impacto causado na logística de atendimento às escolas da rede municipal.
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