“A greve é o último recurso diante do desrespeito aos servidores”, afirma presidente do Sinjusmat

· 1 min de leitura

Ana Paula Figueiredo

Impasse sobre reajuste de 6,8% e veto do governo leva servidores do Judiciário de Mato Grosso a cruzarem os braços a partir de 21 de janeiro

Os servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso decidiram deflagrar greve por tempo indeterminado a partir do dia 21 de janeiro, após deliberação em Assembleia Geral Extraordinária realizada na manhã desta quarta-feira (07). A paralisação foi aprovada em protesto contra o veto ao reajuste salarial de 6,8% e a falta de avanço nas pautas relacionadas à carreira da categoria.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), Rosenwal Rodrigues, o movimento é resultado de um impasse que se arrasta desde o ano passado. “A greve é o último recurso diante do desrespeito aos servidores e da falta de diálogo efetivo sobre nossas reivindicações”, afirmou.

O reajuste reivindicado estava previsto no Projeto de Lei nº 1.398/2025, de autoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), aprovado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) no início de setembro de 2025, após sessões marcadas por manifestações de servidores. Em 19 de novembro, a proposta voltou à pauta e foi novamente aprovada pelos deputados estaduais.

No entanto, em 1º de dezembro, o governador Mauro Mendes (União) vetou integralmente o projeto. Como justificativa, o Executivo estadual alegou ausência de estudos consolidados sobre o impacto financeiro e falta de indicação de fonte permanente de custeio para viabilizar o reajuste.

O governador também argumentou que a concessão do aumento representaria um impacto estimado de R$ 1,6 bilhão por ano na folha de pagamento do Estado, além de abrir precedentes para reivindicações de outras categorias do serviço público, com possível efeito cascata nas contas públicas.

O veto foi analisado pela ALMT e, no dia 3 de dezembro, acabou sendo mantido pela maioria dos parlamentares.

Além do reajuste salarial, os servidores do Judiciário estadual cobram a implementação do Sistema de Desenvolvimento de Carreiras e Remuneração (SDCR) para todos os servidores ativos, abrangendo todas as classes e níveis, pauta que também permanece sem avanços, segundo o sindicato.