Acima da inflação : Assembleia eleva RGA para 5,40% após pressão e Max Russi cobra votação urgente para garantir reajuste ainda em janeiro, VEJA O VÍDEO
JB News
por Nayara Cristina
Após dias de debate intenso e articulação política, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso conseguiu ampliar o percentual da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos estaduais de 4,26% para 5,40%, assegurando um ganho real acima da inflação. O avanço ocorreu depois de forte pressão de deputados da base e da oposição sobre o Mauro Mendes, que inicialmente havia descartado qualquer aumento além do índice já anunciado pelo governo.
O projeto de lei do Executivo, que estava “engasgado” desde a semana anterior e ainda não havia sido encaminhado ao plenário, chegou oficialmente à Assembleia no início desta semana mantendo o percentual de 4,26%. A partir daí, iniciou-se uma intensa movimentação nos bastidores, envolvendo reuniões entre parlamentares, Casa Civil, Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Secretaria de Fazenda, com o objetivo de viabilizar um reajuste maior que garantisse recomposição mais justa aos servidores públicos de Mato Grosso.
Depois de reuniões realizadas ao longo da manhã e da tarde desta quarta-feira, o governo acabou cedendo à pressão política e concordou com o percentual de 5,40%, cerca de 1 ponto percentual acima do que vinha sendo defendido inicialmente. A mudança destravou a pauta da Casa, que também estava travada pela necessidade de votar as contas do governo referentes ao exercício de 2024.
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, teve papel central nas negociações e defendeu celeridade máxima na tramitação do projeto. Em entrevista à imprensa, ele comemorou o resultado e destacou o caráter histórico da decisão.
“Acabamos de sair de uma reunião com o governador e conseguimos uma reposição acima dos 4,26%. Foram discutidos vários números, mas o que ficou definido foi 5,40%. Em sete anos de governo, é a primeira vez que a Assembleia consegue garantir uma reposição acima da inflação, fruto do trabalho conjunto dos deputados e da mobilização dos servidores”, afirmou Max Russi.
O presidente da ALMT ressaltou que a opção por negociar diretamente com o Executivo, em vez de apresentar emendas, foi estratégica para evitar vício de iniciativa e possível veto governamental, o que poderia atrasar o pagamento do reajuste por vários meses.
“Se houvesse veto, perderíamos janeiro, fevereiro e talvez só receberíamos em março. Conversamos com o governador e ele pediu: ‘Max, aprova esse projeto hoje, porque eu quero incluir ainda na folha de janeiro’. Por isso, é fundamental votar com rapidez”, explicou.
Max Russi também fez um apelo para que os deputados evitem pedidos de vista e permitam a votação do projeto até sexta-feira, garantindo que o novo percentual seja implantado ainda na folha salarial deste mês.
“Qualquer deputado pode pedir vista, isso é um direito das minorias. Mas o problema é que, se houver atraso, a folha de janeiro pode não comportar o reajuste. Eu quero, como presidente da Assembleia, que o servidor já sinta esse ganho agora. Não é o cenário ideal, mas é uma vitória real, um avanço importante”, reforçou.
Segundo o presidente, apesar de não atender integralmente todas as reivindicações dos sindicatos, o acordo representa um passo significativo na recomposição salarial dos servidores, especialmente após anos sem qualquer ganho acima da inflação.
“Não vencemos tudo, mas vencemos uma batalha importante. Saímos de 4,26% para 5,40% com muita luta. Se todos os anos tivéssemos avanços como esse, não haveria hoje tanta defasagem. A luta continua, mas agora é hora de garantir esse direito constitucional ao servidor”, concluiu.
A sessão extraordinária que vai analisar o projeto também deve apreciar as contas do governo de 2024. A expectativa é de que, com o acordo fechado, a pauta avance e o RGA de 5,40% seja aprovado a tempo de impactar diretamente o salário dos servidores públicos estaduais já no mês de janeiro.
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