Wellington Fagundes minimiza desgastes da aproximação de Abílio com Piveta e alerta: “Abuso de poder pode ser problema” VEJA O VÍDEO

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JB News por Nayara Cristina Wellington minimiza aproximação de Abílio com Pivetta, mas gesto amplia tensão interna no PL A movimentação política visando as eleições estaduais de outubro em Mato Grosso já expõe fissuras internas, disputas por protagonismo e rearranjos estratégicos dentro dos principais partidos, especialmente no Partido Liberal (PL). O cenário ganhou novos contornos nesta segunda-feira, após a visita do senador Wellington Fagundes à Assembleia Legislativa, onde comentou sua iminente ida a Brasília para se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro e tratou, de forma direta, da aproximação entre o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, e o vice-governador Otaviano Pivetta. Pré-candidato ao Governo do Estado pelo PL, Wellington afirmou que levará a Bolsonaro “o mapa real” da política mato-grossense, com números, conjunturas e projeções eleitorais. Segundo ele, apesar de não contar com o apoio explícito de parte significativa de prefeitos e lideranças do partido no Estado, seu nome continua viável e competitivo. O senador destacou que o PL administra atualmente municípios que representam 47% da população de Mato Grosso, resultado que atribui à força da sigla nas eleições municipais de 2024, quando o partido surpreendeu ao eleger um número expressivo de prefeitos e vereadores. A visita ao ex-presidente, que deverá durar até uma hora conforme as regras estabelecidas, terá, segundo Wellington, caráter político e pessoal. Ele afirmou que pretende reafirmar a liderança de Bolsonaro no cenário nacional e discutir os rumos do partido nos estados, incluindo a estratégia para 2026. “Vamos mostrar o que foi feito, o que deu certo e o que pode ser construído agora em um novo momento”, declarou, lembrando a composição feita nas eleições anteriores, quando defendeu uma coligação que, segundo ele, garantiu resultados expressivos tanto para o partido quanto para o próprio Bolsonaro em Mato Grosso. O ponto mais sensível da entrevista, no entanto, girou em torno da crescente proximidade entre Abílio Brunini e Otaviano Pivetta. O prefeito da capital tem sido visto ao lado do vice-governador em agendas públicas, audiências e encontros políticos, inclusive fora do Estado, o que alimentou especulações sobre um eventual apoio antecipado à pré-candidatura de Pivetta ao Palácio Paiaguás. Cuiabá, maior colégio eleitoral do Estado, exerce forte influência política e simbólica, funcionando como vitrine e caixa de ressonância das disputas estaduais. Essa aproximação passou a gerar desconforto tanto no grupo governista quanto em setores da própria direita mato-grossense. Nos bastidores, parlamentares avaliam que a exposição frequente de Abílio ao lado de Pivetta fortalece politicamente o projeto do vice-governador antes mesmo da definição oficial das candidaturas dentro do PL. Na última semana, o deputado estadual Eduardo Botelho manifestou incômodo com o que classificou como presença constante do prefeito “tira-colo” com Pivetta, inclusive durante compromissos institucionais. Um dos episódios que ampliou a repercussão foi a viagem a São Paulo, onde Abílio e Pivetta participaram de agenda com o governador paulista Tarcísio de Freitas, um dos principais nomes da direita nacional. A imagem dos três juntos passou a ser interpretada como sinal de alinhamento político estratégico, provocando ciumeira tanto entre aliados do vice-governador quanto dentro do próprio PL ligado a Wellington. Apesar do ambiente de tensão, Wellington buscou minimizar qualquer ruptura. Disse que nunca ouviu de Abílio uma declaração formal de apoio a outro pré-candidato e reforçou que o prefeito sempre afirmou estar com o partido. “Ele sempre declarou que estaria com o partido”, afirmou. Ao mesmo tempo, o senador deixou um recado claro sobre os limites institucionais da disputa. Segundo ele, é natural que prefeitos dialoguem com o governador ou vice-governador, mas o tratamento aos gestores municipais deve ser igualitário. “Abuso de poder econômico, abuso de poder de qualquer forma, pode ser problema”, declarou, ressaltando que o governo estadual tem obrigação de atender todos os prefeitos de maneira isonômica, independentemente de alinhamento político. Nos bastidores, a leitura predominante é de que o PL vive um momento decisivo de definição de liderança interna em Mato Grosso. Enquanto Pivetta amplia interlocuções e constrói pontes com figuras de peso nacional, Wellington aposta na relação direta com Bolsonaro e na consolidação de seu nome como alternativa viável ao governo estadual. Com o calendário eleitoral se aproximando, a sucessão começa a ser moldada não apenas por discursos, mas por gestos simbólicos, imagens públicas e articulações estratégicas. A aproximação entre Abílio e Pivetta, longe de ser apenas institucional, tornou-se peça central desse novo xadrez político — e já produz reflexos tanto no núcleo governista quanto dentro do próprio campo conservador mato-grossense. VEJA : [playlist type="video" ids="378562"]