JB News
por Nayara Cristina
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), o conselheiro Sérgio Ricardo, rechaçou de forma contundente as críticas recorrentes que associam a Corte de Contas a um destino de acomodação para políticos em final de carreira. A declaração foi feita após questionamentos sobre a composição do tribunal e o seu papel institucional, em meio à recente nomeação do novo conselheiro Alisson Carvalho de Alencar, de 42 anos — o mais jovem a integrar o colegiado estadual.
Segundo Sérgio Ricardo, a ideia de que o TCE funcione como “prêmio de consolação” é uma distorção da realidade. “Essa coisa de que o Tribunal de Contas é prêmio de consolação para políticos em final de carreira é uma grande mentira. Aqui ninguém consegue viver achando que está em fim de carreira. É trabalho o dia inteiro”, afirmou. Para ele, a fiscalização dos recursos públicos exige dedicação permanente e não comporta qualquer lógica de acomodação política.
O presidente lembrou ainda a própria trajetória para reforçar o argumento. Ao ingressar no TCE, em 2012, Sérgio Ricardo estava no meio da vida política, em plena ascensão, após receber mais de 80 mil votos na eleição anterior. “Eu estava no meio do meu mandato, com 87 mil votos, fui o quarto deputado mais votado proporcionalmente no Brasil. Era uma carreira em ascensão. Não vim fazer o fim da minha carreira política”, destacou.
A fala ocorreu durante a solenidade de posse de Alisson Carvalho de Alencar, escolhido a partir de lista tríplice formada pelo próprio tribunal e nomeado pelo governador em exercício Otaviano Piveta. O novo conselheiro assume a vaga aberta com a aposentadoria de Walter Albano, passando a integrar o colegiado responsável pelo controle externo das contas públicas do Estado.
Sérgio Ricardo também defendeu a previsão constitucional que assegura a participação de membros oriundos do Legislativo na composição dos Tribunais de Contas. Para ele, essa característica garante diálogo político e aproximação com a realidade da população. “Eu venho da Assembleia, tenho característica de rua, de estar envolvido com as situações da população. É por isso que o constituinte previu membros do Legislativo: para haver discussão política e linguagem política dentro do tribunal”, explicou.
O presidente ressaltou que o trabalho na Corte é intenso e, muitas vezes, mais exigente do que na vida parlamentar. “Você trabalha mais do que quando está na política, porque os compromissos são muito maiores. Onde tem um real de dinheiro público, o Tribunal de Contas tem que estar presente — e vai continuar estando”, enfatizou.
Ao avaliar o momento atual do TCE-MT, Sérgio Ricardo afirmou que a chegada de um conselheiro mais jovem e de perfil técnico tende a reduzir críticas antigas sobre o papel da instituição. “Essa crítica popular de que o tribunal seria um lugar para políticos aposentados é uma bobagem. Eu sou exemplo de que isso não é verdade”, disse, lembrando que outros nomes que passaram pela Corte retornaram à vida política.
Por fim, o presidente anunciou que pretende intensificar a presença do TCE junto à sociedade. Com mais dois anos à frente da instituição, ele prometeu levar o tribunal “ainda mais para a rua”, ampliando o debate sobre temas estratégicos para o Estado. “Antigamente se dizia ‘Tribunal de Faz de Contas’. Hoje as pessoas já começam a saber para que serve. Onde houver um centavo de dinheiro público, o Tribunal de Contas estará presente”, concluiu.
Veja:
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