JB News
Por Nayara Cristina
Foto arte : Emerson Teixeira-JB News
LUTO NA ARTE
Cuiabá se despede nesta terça-feira (17) de um dos nomes mais emblemáticos de sua história cultural. O artista plástico japonês Massanobu Kazurayama morreu aos 86 anos na capital mato-grossense, encerrando uma trajetória marcada pela superação, pela memória histórica e pela dedicação incansável à arte. Sobrevivente da bomba atômica no Japão, Kazurayama transformou a dor da guerra em expressão artística e fez de Mato Grosso sua terra definitiva desde que chegou ao Brasil, em 1961.
A morte foi confirmada pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), que ao lado da primeira-dama e vereadora Samanta Aires e do secretário municipal Fernando Medeiros, destacou a relevância do artista para a cultura local e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e alunos. Em nota, a gestão municipal afirmou: “Nesse momento de dor, a gestão municipal se solidariza com familiares, amigos, alunos e admiradores, reconhecendo a importância de sua trajetória para a história cultural de Cuiabá. Seu talento, sensibilidade e compromisso com a arte permanecerão vivos na memória da cidade e nas obras que eternizou”.
Com reconhecimento nacional e internacional, Kazurayama foi mestre do curso de pintura no Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde formou gerações de artistas e difundiu técnicas da arte oriental, combinando tradição japonesa com elementos da paisagem brasileira. Sua produção artística atravessava fronteiras culturais, retratando o Japão, o Canadá e, com especial sensibilidade, o Pantanal mato-grossense.
Presença constante no Museu do Morro da Caixa d’Água Velha, em Cuiabá, o artista realizava exposições anuais e também abria espaço para que seus alunos apresentassem seus trabalhos, reforçando seu compromisso com a formação e valorização de novos talentos. Sua atuação ajudou a consolidar o intercâmbio cultural entre Brasil e Japão dentro do cenário artístico regional.
A história de Massanobu Kazurayama é marcada pela resistência. Sobrevivente de um dos episódios mais devastadores da humanidade, ele encontrou na arte uma forma de reconstrução pessoal e coletiva. Ao longo de mais de seis décadas no Brasil, construiu uma identidade profundamente ligada à cultura cuiabana, tornando-se símbolo de perseverança, disciplina e sensibilidade artística.
O velório ocorre a partir das 19h desta terça-feira na Capela Santa Rita, localizada na Rua Miranda Reis, nº 567, no bairro Poção, em Cuiabá. Familiares, amigos, alunos e admiradores devem prestar as últimas homenagens ao artista, cuja trajetória deixa uma marca definitiva na memória cultural da capital mato-grossense.
Com sua partida, Cuiabá perde não apenas um artista, mas um elo vivo entre passado e presente — um homem que sobreviveu à guerra, cruzou oceanos e fez da arte um legado eterno.