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Por Nayara Cristina
A destruição do almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação de Várzea Grande pelo incêndio registrado na noite de quarta-feira (17) ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (18), após a vistoria realizada pelo presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Sérgio Ricardo. Diante do cenário de devastação encontrado no local, o conselheiro anunciou que o TCE acompanhará de perto as investigações e cobrará uma apuração minuciosa para esclarecer as causas do incêndio, identificar eventuais responsabilidades e calcular o tamanho real dos prejuízos causados aos cofres públicos.
A visita ocorreu com a presença do presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira, em meio à forte repercussão do caso, que já mobiliza autoridades, órgãos de controle e a sociedade. O incêndio atingiu um dos principais centros de armazenamento da rede municipal de ensino, onde estavam guardados livros, equipamentos escolares, mobiliário, aparelhos de ar-condicionado, geladeiras, materiais pedagógicos, parquinhos destinados às unidades de ensino e, segundo relatos, até produtos relacionados à alimentação escolar.
Durante a inspeção, Sérgio Ricardo afirmou que o Tribunal de Contas solicitará formalmente o resultado das investigações da Polícia Civil e da Politec para compreender exatamente como o fogo começou. O presidente do TCE destacou que existem informações preliminares indicando que as chamas teriam se iniciado em um ponto específico do barracão, mas ressaltou que qualquer conclusão neste momento seria precipitada.
Segundo ele, a principal preocupação é descobrir a origem do incêndio e afastar qualquer dúvida sobre a possibilidade de ação criminosa ou falha estrutural. Sérgio Ricardo revelou ainda que, como jornalista de formação, tem buscado informações desde as primeiras horas após o ocorrido, conversando com diferentes pessoas ligadas ao caso para entender a dinâmica do incêndio.
O conselheiro observou que, em situações como essa, a hipótese de curto-circuito costuma ser uma das primeiras a ser analisada, mas reforçou que somente uma perícia técnica poderá determinar o que realmente aconteceu. Ele também chamou atenção para o fato de os barracões utilizados pela prefeitura serem alugados há várias administrações, o que amplia a necessidade de uma avaliação detalhada das condições estruturais e elétricas do imóvel.
Além da investigação sobre o incêndio atual, Sérgio Ricardo afirmou que pretende solicitar informações sobre outro episódio semelhante ocorrido anteriormente em um barracão ligado à área da Saúde de Várzea Grande. O objetivo é compreender as circunstâncias daquele caso, os prejuízos provocados e verificar se existem elementos em comum entre os dois episódios.
A preocupação do Tribunal de Contas vai além das causas do incêndio. O órgão quer dimensionar com precisão o prejuízo financeiro provocado pela destruição do patrimônio público. O presidente do TCE classificou o cenário encontrado como uma verdadeira catástrofe administrativa, diante da quantidade de equipamentos e materiais consumidos pelas chamas.

A vistoria ocorre em um momento particularmente delicado para a educação municipal de Várzea Grande. Nos últimos meses, a área tem sido alvo de uma série de denúncias e questionamentos envolvendo contratos, aquisições de materiais didáticos, compra de livros em grande quantidade, distribuição de uniformes escolares e supostas irregularidades administrativas que já vinham sendo acompanhadas por vereadores e órgãos de controle.

Poucos dias antes do incêndio, uma comissão de parlamentares da Câmara Municipal realizou inspeções em unidades e depósitos ligados à Secretaria de Educação. As fiscalizações levantaram questionamentos sobre o armazenamento de materiais, aquisição de produtos e gestão dos recursos públicos destinados ao setor. Parte dessas denúncias já vinha sendo analisada por órgãos fiscalizadores, ampliando ainda mais a repercussão do incêndio.
O episódio também gerou preocupação imediata sobre possíveis impactos na rotina escolar. Durante a vistoria, Sérgio Ricardo demonstrou inquietação ao questionar se havia merenda armazenada no local e se a destruição dos produtos poderia comprometer o funcionamento das aulas ou o atendimento aos estudantes da rede municipal.
Embora ainda não exista qualquer conclusão oficial sobre a origem das chamas, o caso passa a ser tratado como uma das mais graves ocorrências envolvendo patrimônio público municipal nos últimos anos em Várzea Grande. A expectativa agora se volta para os laudos da perícia técnica, que deverão indicar onde o fogo começou, como ele se propagou e se houve falha humana, problema estrutural ou eventual ação criminosa.

Enquanto as investigações avançam, o Tribunal de Contas promete manter acompanhamento rigoroso do caso. A determinação, segundo Sérgio Ricardo, é que todas as circunstâncias sejam esclarecidas e que a população saiba exatamente o que foi perdido, quanto custará a reposição dos materiais destruídos e, principalmente, quem deverá responder caso sejam constatadas irregularidades ou responsabilidades pelo episódio que abalou a educação várzea-grandense.
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