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Por Nayara Cristina e Guilherme Augusto
A participação do senador Wellington Fagundes no Fórum Jurídico de Lisboa, realizado nesta semana em Portugal e popularmente conhecido nos bastidores políticos como “Gilmarpalooza”, continua repercutindo no cenário político mato-grossense. O evento, que reúne ministros de tribunais superiores, magistrados, advogados, empresários, acadêmicos e lideranças políticas brasileiras, tornou-se alvo de críticas de setores da direita por sua associação ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Ao comentar a presença de Wellington no encontro, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, adotou tom cauteloso, mas deixou claro que não participaria do evento.
“Eu não fui convidado e também, se fosse, eu acho que não iria”, declarou o prefeito ao ser questionado sobre a viagem do senador à capital portuguesa. Segundo Abilio, cada agente político deve responder pelas próprias escolhas e pelos reflexos que elas produzem perante a sociedade.
O prefeito ressaltou ainda que está concentrado na administração municipal e afirmou não estar acompanhando de perto as discussões internas do Partido Liberal. Durante a entrevista, relatou que sua rotina tem sido dedicada integralmente às demandas da Prefeitura de Cuiabá, envolvendo reuniões com as áreas de Saúde, Educação e Obras.
A presença de Wellington no evento ganhou destaque porque ocorreu ao lado da deputada estadual Janaina Riva, pré-candidata ao Senado pelo MDB e sua nora. O encontro alimentou especulações sobre possíveis aproximações políticas entre PL e MDB para as eleições de 2026, hipótese que vem sendo rejeitada por lideranças bolsonaristas em Mato Grosso.
O chamado “Gilmarpalooza” é o apelido dado ao Fórum Jurídico de Lisboa, evento promovido anualmente pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), instituição fundada por Gilmar Mendes. Realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, o fórum se consolidou como um dos principais espaços de debate sobre temas jurídicos, econômicos e institucionais envolvendo Brasil e Europa. Apesar da relevância acadêmica, o encontro passou a ser alvo de críticas por reunir magistrados, políticos e empresários em um ambiente informal, o que gera questionamentos sobre a proximidade entre agentes públicos e setores com interesses diversos.
Em Mato Grosso, as críticas partiram principalmente de integrantes da ala mais alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado estadual Gilberto Cattani chegou a classificar como incoerente a participação de Wellington em um evento associado ao ministro do STF, corte frequentemente criticada por setores do bolsonarismo. Após a repercussão, Wellington teria procurado aliados para esclarecer sua participação na viagem.
Nos bastidores, a presença do senador em Lisboa ocorre em um momento delicado para sua pré-candidatura ao Governo de Mato Grosso. Wellington já enfrenta resistência de parte do eleitorado conservador e de lideranças internas do PL, que acompanham com atenção os movimentos políticos envolvendo o MDB e outras forças partidárias para 2026.
Sem atacar diretamente o senador, Abilio resumiu sua posição afirmando que toda escolha política produz consequências.
“Cada escolha tem seus efeitos colaterais. A pessoa faz uma escolha dessa e terá os efeitos colaterais da sua escolha”, declarou o prefeito.
A declaração reforça o clima de divisão existente dentro do campo da direita mato-grossense, onde alianças, posicionamentos e participações em eventos nacionais passaram a ser observados como sinais importantes da disputa que se desenha para as eleições do próximo ano.
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