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Por Nayara Cristina
A antecipação da disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá transformou os bastidores do Legislativo em um dos principais campos de tensão política da capital mato-grossense em 2026. O debate em torno da possível mudança no regimento interno da Casa, que hoje impede a reeleição do presidente dentro do mesmo mandato legislativo, provocou uma divisão entre vereadores, elevou o tom das articulações políticas e colocou a atual presidente, Paula Calil (PL), no centro de uma intensa batalha de poder.
O assunto ganhou força após a própria presidente admitir publicamente que entrou na disputa pela continuidade no comando da Câmara. Segundo Paula Calil, a decisão não nasceu de um projeto pessoal de permanência no poder, mas de um movimento construído por vereadores e servidores que defendem a continuidade administrativa da atual gestão.
Nos bastidores, entretanto, o cenário é tratado como uma das eleições mais delicadas dos últimos anos dentro do Legislativo cuiabano. Até poucas semanas atrás, os nomes mais comentados para a sucessão eram os dos vereadores Hildo Taques e Dilemário Alencar. A entrada definitiva de Paula Calil no jogo político mudou completamente o tabuleiro e acendeu o debate sobre a legalidade, legitimidade e conveniência de alterar o regimento interno em pleno ano eleitoral da mesa diretora.
A polêmica aumentou ainda mais depois que o prefeito Abilio Brunini passou a demonstrar apoio político à permanência de Paula Calil no comando da Casa. A movimentação foi interpretada por setores da oposição e até por parlamentares da própria base como uma interferência direta do Executivo na independência do Legislativo municipal.
Em declaração à imprensa, Paula Calil afirmou que não existe imposição nem definição fechada sobre a alteração regimental, mas sim uma construção política em andamento. Ela reforçou que qualquer mudança depende de aprovação qualificada dos vereadores e destacou que ainda não há prazo estabelecido para o tema ser colocado em votação.
Ao defender a possibilidade de disputar novamente a presidência, a vereadora adotou um discurso fortemente ligado à questão da representatividade feminina e ao direito democrático de participação. Em vários momentos da entrevista, Paula afirmou que está “lutando como mulher” para ter o direito de concorrer em igualdade de condições com os demais parlamentares interessados no cargo.
A presidente também rebateu críticas de que a mudança seria casuística ou feita sob medida para favorecer sua permanência. Segundo ela, se tivesse assumido a presidência já propondo imediatamente a alteração do regimento, poderia ser acusada de agir por “sede de poder”. Ela argumenta que o debate só surgiu agora porque houve um movimento político interno favorável à continuidade de sua gestão.
Em um dos trechos mais contundentes da entrevista, Paula Calil acusou adversários de tentarem impedir sua participação na disputa ao manter a vedação regimental. Para ela, a proibição representa uma limitação democrática dentro da própria Câmara Municipal.
A vereadora chegou a desafiar publicamente os parlamentares contrários à mudança. Segundo ela, basta aprovar a alteração do regimento e permitir que a disputa aconteça no voto, de forma aberta e legítima entre os candidatos.
Outro ponto que elevou a temperatura política foi a repercussão de mudanças administrativas realizadas recentemente na Câmara. Questionada sobre supostas demissões ligadas ao ambiente eleitoral interno, Paula Calil negou qualquer relação direta com pressão política e afirmou que reorganizações fazem parte da rotina administrativa de qualquer gestão pública.
Mesmo evitando declarar apoio formal a grupos específicos, vereadores já começaram a intensificar conversas de bastidor em busca dos votos necessários para uma eventual mudança regimental. Para aprovar a alteração, serão necessários votos de dois terços da Casa, o que exige uma ampla articulação política.
Nos corredores da Câmara, o debate já ultrapassa a simples discussão sobre reeleição. O tema passou a simbolizar uma disputa maior envolvendo influência política, controle institucional e força dentro da base do prefeito Abilio Brunini. Há parlamentares que enxergam a permanência de Paula Calil como um projeto de estabilidade administrativa. Outros consideram que a alteração do regimento neste momento abre um precedente perigoso dentro do Legislativo cuiabano.
Enquanto o embate cresce, a eleição da mesa diretora, antes vista como uma disputa interna restrita aos vereadores, passa a ganhar dimensão estadual e chamar atenção do meio político mato-grossense. A expectativa agora gira em torno da possível apresentação oficial da proposta de mudança do regimento e da reação dos vereadores diante de um dos debates mais tensos da atual legislatura em Cuiabá.
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