Operação Codinomes expõe engrenagem do crime organizado e mobiliza força-tarefa em Mato Grosso
JB News
Por Emerson Teixeira
Uma ofensiva de grande escala deflagrada na manhã desta segunda-feira (27) revelou a estrutura sofisticada de uma facção criminosa que vinha atuando de forma organizada na região de Cáceres e em outros municípios de Mato Grosso. Batizada de Operação Codinomes, a ação coordenada pelas forças de segurança cumpriu 22 ordens judiciais, sendo cinco mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão, com alvos espalhados por cidades estratégicas como Cuiabá, Várzea Grande, Mirassol D’Oeste e Primavera do Leste.
As investigações apontam que o grupo criminoso mantinha uma organização hierárquica bem definida, com divisão clara de funções entre seus integrantes. Ao todo, cerca de 35 pessoas foram identificadas como participantes diretos do esquema, que tinha como principal atividade o tráfico de drogas, além de envolvimento em crimes violentos, incluindo homicídios.
Um dos pontos mais alarmantes revelados pelas apurações é que parte das operações da facção era coordenada de dentro do sistema prisional. Detentos atuavam como líderes e repassavam ordens a comparsas em liberdade, garantindo a continuidade das atividades ilícitas mesmo com integrantes encarcerados. Esse modelo permitia ao grupo manter pelo menos 32 pontos de venda de drogas ativos apenas na região de Cáceres.
Entre os investigados, uma mulher conhecida pelo codinome “Princesa” aparece como peça-chave na engrenagem criminosa. Segundo as autoridades, ela exercia a função de gerente regional e já havia sido alvo de outra ação policial anterior. A atuação dela evidencia o nível de organização e a presença de lideranças com funções estratégicas dentro da facção.
Outro aspecto que chamou a atenção dos investigadores foi o sistema de monitoramento adotado pelo grupo. Integrantes eram responsáveis por vigiar bairros e registrar, por meio de fotos e vídeos, a movimentação policial e a presença de facções rivais. Esse material era compartilhado internamente para orientar ações e evitar confrontos ou prejuízos ao esquema.
O nome da operação, “Codinomes”, faz referência à estratégia utilizada pelos criminosos para dificultar a identificação por parte das autoridades. Os investigados alteravam constantemente apelidos e formas de comunicação, numa tentativa de despistar o trabalho policial.
A ofensiva contou com a atuação integrada de diversas forças de segurança, incluindo Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e apoio do Exército Brasileiro. Unidades especializadas como Bope, Rotam, Força Tática e grupos regionais participaram diretamente do cumprimento das ordens judiciais, demonstrando o nível de mobilização necessário para enfrentar a estrutura criminosa.
Ao todo, mais de uma centena de agentes foi empregada na operação, evidenciando a dimensão do problema e o esforço do Estado no combate às facções. A ação também integra uma estratégia mais ampla de enfrentamento ao crime organizado em Mato Grosso, dentro de programas que visam desarticular redes criminosas e retomar o controle territorial em áreas dominadas por essas organizações.
As investigações continuam em andamento e novas fases da operação não estão descartadas. A expectativa das autoridades é que, com o avanço das apurações e a análise do material apreendido, seja possível aprofundar o mapeamento da facção e atingir outros integrantes que ainda não foram localizados.