As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e cumpridas em diversas cidades de Mato Grosso, incluindo Sinop, Santa Carmem, São José dos Quatro Marcos, Várzea Grande e Cuiabá. A operação também ultrapassou fronteiras estaduais, com ações realizadas em Anápolis e Goiânia (GO), além de Barra de São Francisco (ES), contando com o apoio das equipes especializadas das Polícias Civis de Goiás e do Espírito Santo.
De acordo com o delegado José Getúlio Daniel, responsável pelas investigações, esta terceira fase é resultado direto do aprofundamento das etapas anteriores, que já haviam atingido a estrutura operacional da facção. No início de março, mais de 10 gerentes do tráfico de drogas em Sinop foram presos, em uma ação que causou prejuízo estimado em R$ 25 milhões ao grupo criminoso, especialmente na região de fronteira. Agora, o foco se volta ao núcleo financeiro responsável por ocultar e movimentar os recursos ilícitos provenientes do tráfico.
As investigações foram conduzidas com base em técnicas avançadas de análise financeira e patrimonial, permitindo identificar indícios consistentes de lavagem de dinheiro e a participação de operadores responsáveis por dar aparência lícita aos valores obtidos com o crime. A estratégia adotada pela Polícia Civil visa não apenas prender integrantes, mas desmantelar toda a engrenagem econômica que sustenta as atividades ilícitas.
A Operação Fantasma lll integra um planejamento mais amplo iniciado em 2026 dentro da Operação Faros, uma iniciativa estratégica da Polícia Civil voltada ao programa Tolerância Zero contra o crime organizado. O nome “Faros” remete ao termo latino para farol, simbolizando a capacidade de iluminar estruturas criminosas ocultas e orientar ações de repressão mesmo em cenários de alta complexidade.
Além disso, a ação está inserida no contexto da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renocrim), que reúne delegados e promotores de justiça de 26 estados e do Distrito Federal. A rede é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diop) e da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), fortalecendo a atuação integrada no combate ao crime organizado em todo o país.
Com mais esta fase, a Polícia Civil reforça a estratégia de atacar não apenas a linha de frente do tráfico, mas principalmente o sistema financeiro que mantém as facções em funcionamento, ampliando o cerco e enfraquecendo as bases estruturais do crime organizado em Mato Grosso.