JB News
por Nayara Cristina
Operação Couraça: grupo que movimentou R$ 9 milhões com golpes virtuais é alvo de 35 mandados em sete estados
Uma força-tarefa envolvendo as Polícias Civis de Mato Grosso e de Minas Gerais deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25), a Operação Couraça, com o cumprimento de cerca de 35 ordens judiciais contra um grupo suspeito de aplicar golpes pela internet em diversas regiões do país. As investigações apontam que a organização criminosa teria movimentado aproximadamente R$ 9 milhões com fraudes eletrônicas, especialmente por meio do chamado “golpe do falso intermediador” na venda de veículos.
Em Mato Grosso, a ação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Estelionato, com o cumprimento de 20 mandados judiciais, sendo 10 de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão, nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande. Segundo as apurações conduzidas pela Polícia Civil de Minas Gerais, um dos núcleos operacionais do grupo estava instalado justamente na região metropolitana da capital mato-grossense, de onde partiam parte das articulações criminosas.
De acordo com as investigações, os suspeitos atuavam clonando anúncios reais de venda de veículos publicados na internet. Após copiar as informações e imagens, os criminosos se apresentavam como intermediadores da negociação, convencendo o vendedor de que possuíam um comprador interessado e, ao mesmo tempo, induzindo a vítima compradora a acreditar que tratava diretamente com o proprietário. A partir dessa encenação, os valores eram direcionados para contas bancárias indicadas pela organização, que rapidamente pulverizava os recursos para dificultar o rastreamento.
O golpe do falso intermediador tem se tornado uma das modalidades mais recorrentes de estelionato virtual no país. Nesse tipo de fraude, tanto o vendedor quanto o comprador são enganados simultaneamente, o que aumenta a complexidade das investigações e amplia o prejuízo financeiro das vítimas. Conforme apontado no inquérito, parte significativa das vítimas identificadas reside em Minas Gerais, estado onde a investigação teve início.
Além de Mato Grosso e Minas Gerais, a operação também cumpriu 15 mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Paraíba, Piauí e Mato Grosso do Sul. Nesses locais, as ordens judiciais estão relacionadas a outras modalidades de estelionato atribuídas ao mesmo grupo ou a ramificações da organização criminosa, que também é investigada por lavagem de dinheiro.
As medidas judiciais têm como objetivo desarticular a estrutura do grupo, interromper o fluxo financeiro ilícito e reunir provas que reforcem as acusações de estelionato, organização criminosa e ocultação de bens e valores. A expectativa das autoridades é que, com o avanço das diligências e a análise do material apreendido, novas vítimas possam ser identificadas e outros envolvidos sejam responsabilizados.
A Operação Couraça evidencia a crescente sofisticação das fraudes digitais e o desafio enfrentado pelas forças de segurança pública no combate aos crimes cibernéticos, que ultrapassam fronteiras estaduais e exigem atuação integrada entre diferentes unidades da federação. As investigações seguem em andamento, e a Polícia Civil não descarta novas fases da operação nos próximos meses.