Plano diretor de Cuiabá entra em fase decisiva com promessa de cidade mais humana e foco inédito no centro histórico
JB News
Por Nayara Cristina
A apresentação do novo plano diretor de Cuiabá no Tribunal de Contas do Estado, na manhã desta quarta-feira (29), ampliou o debate sobre o futuro urbanístico da capital e consolidou um dos momentos mais sensíveis da discussão sobre o crescimento da cidade para os próximos dez anos. Levado pelo prefeito Abílio Brunini a conselheiros, servidores e ao público em geral, o projeto reúne uma série de mudanças estruturais que atingem diretamente o desenvolvimento econômico, social e ambiental da Baixada Cuiabana, com reflexos também em Várzea Grande.
A proposta, que já havia sido apresentada anteriormente na Câmara Municipal, ainda está em fase inicial de construção e deve passar por um ciclo de cinco a seis audiências públicas antes de ser consolidada. Segundo o prefeito, o objetivo é ouvir sugestões da população, vereadores e técnicos para, só então, ajustar o texto final antes do encaminhamento formal às instâncias legais. “Audiência pública é isso. Nós teremos ainda cinco ou seis audiências pela frente e depois vamos pegar todas as sugestões, fazer um compilado, ajustar o plano diretor e encaminhar para as comissões, Procuradoria e Câmara”, explicou.
Entre os principais pontos do novo plano estão a reestruturação do polo industrial, a reorganização do centro urbano, a criação de novos espaços econômicos, além de metas ambientais ambiciosas, como o plantio de mais de 300 mil árvores. A proposta também aposta em um conceito de cidade voltada para as pessoas, com prioridade para qualidade de vida, mobilidade e convivência urbana. Para Brunini, o plano representa uma mudança de lógica no planejamento. “O foco é colocar a pessoa em primeiro lugar, não o carro, não o concreto. É pensar como o cidadão vive, se desloca e pode ser mais feliz dentro da cidade”, afirmou.
No campo da infraestrutura, o prefeito também indicou a adoção de práticas já utilizadas internacionalmente para melhorar a eficiência urbana, como a reorganização da instalação de redes de água e esgoto, priorizando intervenções que evitem danos frequentes ao asfalto e reduzam custos de manutenção. A ideia é adaptar soluções consolidadas em outros países à realidade local, como forma de corrigir distorções históricas no crescimento da capital.
Um dos pontos mais destacados pelo gestor é a inclusão, pela primeira vez, do centro histórico como eixo central do plano diretor. A proposta prevê ações de requalificação, valorização urbanística e um “master plan” específico para a região, buscando reverter o processo de esvaziamento econômico e degradação observado nos últimos anos. “Pela primeira vez o plano diretor coloca o centro histórico no coração do planejamento. Antes, não havia nada tratando disso. Agora temos diretrizes claras para valorização e revitalização”, pontuou.
Ao comentar os desafios envolvendo as restrições patrimoniais, Brunini minimizou eventuais entraves e defendeu que a questão está mais ligada à capacidade técnica do que a limitações institucionais. Segundo ele, o próprio município é responsável pelas regras de tombamento e o diálogo com órgãos de preservação pode viabilizar projetos modernos sem comprometer a identidade histórica da cidade.
Apesar das diretrizes apresentadas, o plano ainda enfrenta questionamentos e críticas. Durante a apresentação, o conselheiro Sérgio Ricardo voltou a alertar para problemas estruturais históricos, especialmente relacionados ao centro urbano e à desigualdade social crescente na região metropolitana. As ponderações reforçam o clima de debate acalorado que tem marcado a discussão desde o anúncio inicial do projeto.
Com mudanças que vão desde a expansão urbana até políticas ambientais e reorganização econômica, o novo plano diretor de Cuiabá avança como um dos principais instrumentos de planejamento da capital, mas ainda depende de amplo debate público e ajustes técnicos antes de se consolidar como diretriz oficial para a próxima década.
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