Operação Sem Livramento cumpre 36 mandados e desarticula rede criminosa que aterrorizava famílias no campo em Mato Grosso

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JB News por Nayara Cristina Uma ofensiva de grande envergadura deflagrada na manhã desta quinta-feira escancarou o nível de organização e brutalidade de um grupo criminoso especializado em atacar propriedades rurais em Mato Grosso. Batizada de Operação Sem Livramento, a ação da Polícia Civil de Mato Grosso teve como foco desarticular uma quadrilha envolvida em roubos no campo, cárcere privado, extorsão e lavagem de dinheiro, crimes que vinham sendo praticados de forma sistemática e com elevado grau de violência. Ao todo, foram cumpridas 36 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares contra 15 alvos investigados, com endereços em Cuiabá, Várzea Grande e Barra do Garças. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 87 mil em valores, bem como a quebra do sigilo bancário dos envolvidos, numa tentativa de estrangular financeiramente a organização criminosa e mapear o caminho do dinheiro obtido com os crimes. As decisões judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0, com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos, que há meses vinha reunindo provas técnicas, depoimentos e rastreamentos financeiros para comprovar a atuação contínua do grupo. As apurações tiveram início ainda em 2024, após um crime que chocou Mato Grosso pelo grau de crueldade. Em um sítio localizado no município de Nossa Senhora do Livramento, criminosos invadiram a propriedade durante a madrugada e fizeram uma família inteira refém. Adultos e crianças foram amarrados e mantidos sob ameaça por horas, enquanto os assaltantes circulavam livremente pelo local, recolhendo bens e impondo terror psicológico às vítimas. Durante o período de cárcere privado, parte da família foi agredida fisicamente e coagida a realizar transferências bancárias instantâneas via PIX. Como forma extrema de intimidação, os criminosos mataram o papagaio da família e feriram um cachorro, numa tentativa de impedir qualquer reação ou pedido de socorro que pudesse chamar a atenção de vizinhos. Somente após horas de violência e medo, o grupo deixou o local levando um veículo Citroën C3, além de celulares, notebooks, equipamentos profissionais, ferramentas e diversos pertences pessoais. Com o avanço das investigações, a Polícia Civil constatou que o ataque não foi um episódio isolado. Ao contrário, fazia parte de um esquema estruturado, com divisão de tarefas, planejamento prévio e rotas definidas para o escoamento e a ocultação dos bens roubados. Segundo o delegado responsável pelo caso, Maurício Maciel Pereira Júnior, o aprofundamento das diligências permitiu identificar novos integrantes da quadrilha e apontar a existência de empresas supostamente utilizadas para dissimular a origem ilícita dos recursos, caracterizando lavagem de dinheiro. A Operação Sem Livramento está inserida no planejamento estratégico da Polícia Civil dentro da Operação Interparts e do programa estadual de combate ao crime conhecido como Tolerância Zero, que tem como prioridade o enfrentamento a organizações criminosas e a repressão qualificada aos crimes violentos, especialmente aqueles que atingem populações vulneráveis em áreas rurais. [caption id="attachment_373174" align="alignnone" width="300"] Screenshot[/caption] O nome da operação faz referência direta ao município onde ocorreu o crime que deu origem às investigações, mas também carrega um significado simbólico: a resposta do Estado à tentativa de impor o medo e a violência como regra no interior de Mato Grosso. Com o cumprimento das ordens judiciais, a Polícia Civil busca não apenas responsabilizar criminalmente os envolvidos, mas também romper a sensação de impunidade e devolver segurança às famílias que vivem e produzem no campo. Até o momento, os nomes dos investigados não foram oficialmente divulgados para não comprometer o andamento do inquérito, mas a Polícia Civil não descarta novas fases da operação, com possíveis prisões e outras medidas judiciais, à medida que as análises financeiras e os materiais apreendidos forem concluídos.